Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 10/10/2018
O filósofo Albert Camus, ganhador do Nobel de Literatura em 1957, escreveu em sua obra “O Mito de Sísifo” que o único problema filosófico realmente importante é o suicídio. Isso ressalta a importância da busca pela compreensão das variadas causas que resultam nessa fatalidade. Dessa maneira, identifica-se a necessidade de o Estado brasileiro adotar estratégias que amenizem o quadro alarmante em que se encontra as taxas desse fenômeno social entre os jovens da nação.
É importante frisar, a princípio, que, de acordo com Émile Durkheim, a sociedade exerce um grande poder coercitivo sobre as atitudes de cada indivíduo, o que corrobora com a pressão social vivida diariamente por diversas pessoas dentro de uma comunidade. Nessa lógica, nota-se que a influência do meio pode ser imposta em diferentes circunstâncias à camada jovem, como na prática do bullying nas escolas, no rompimento de relações afetivas, no vício em drogas, entre outras; no entanto, tais ocorrências possuem a potencialidade de trazer uma consequência em comum: o suicídio. Isso ocorre muito pelo fato desses indivíduos sentirem-se impotentes e angustiados diante dos conflitos emocionais trazidos por esses sofrimentos. Assim, verifica-se o papel social que a população desempenha no controle dos atos suicidas.
Vale ressaltar, também, que a sociedade contemporânea vive um cenário de intensa individualização. Sob a óptica de Zygmunt Bauman, a volatilização das relações sociais modernas implica em um quadro de desvalorização da empatia e da consciência coletiva, de forma que muitas pessoas optam por manter um comportamento isolacionista e apático às interações sociais, sobretudo, em razão do poder coercitivo exercido pelo meio em que estão inseridas, seja na escola, no âmbito familiar ou no local de trabalho. Logo, é essencial a atuação do Poder Público no que tange à preservação da vida dos inúmeros jovens que planejam se matar, haja vista que, segundo o Mapa da Violência de 2017, a taxa de suicídios na parcela populacional de 15 a 29 anos teve um aumento de quase 10% entre os anos 2002 e 2014, o que mostra o quão preocupante é essa ocorrência no país.
Depreende-se, portanto, que o Ministério da Educação precisa criar campanhas educativas que fomentem o debate acerca do suicídio na esfera escolar, de modo que seja possível desenvolver o senso crítico dos jovens e das crianças a respeito desse tema. Isso pode ser feito mediante palestras educativas com profissionais da saúde mental que englobem a participação dos familiares dos alunos. Por fim, é necessário que os pais conversem com seus filhos sobre essa temática, de modo que, progressivamente, esse assunto deixe de ser um tabu nacional e que possa ser tratado de maneira conjunta - a vítima, seus familiares, amigos e especialistas no problema - e respeitosa.