Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 12/10/2018

“A tristeza durará para sempre”. Essas foram as últimas palavras do artista Van Gogh antes de cometer suicídio e retratam bem o estado das pessoas que realizam tal ato. Sob esse viés, hodiernamente, o aumento no número de suicídios entre os jovens brasileiros tem se mostrado uma realidade preocupante. Diante disso, há dois fatores que não podem ser negligenciados, o entendimento das possíveis causas que levam ao cerceamento da própria vida e a identificação prévia de pessoas com comportamento suicida.

Segundo o filósofo inglês, Jeremy Bentham, o ser humano é movido pelo princípio da maior felicidade. Com efeito, em vista de um cenário de deturpação do conceito de felicidade - no qual esta é, frequentemente, associada à posse de bens materiais, à ascensão social e ao enquadramento nos padrões vigentes -, existe uma pressão exorbitante sobre os jovens para alcança-la. Lamentavelmente, esse fato, somado à instabilidade emocional - marcante nos jovens -, por vezes, desencadeiam quadros de depressão, isolamento e falta de perspectiva, o que, posteriormente,  podem levar a pessoa a tirar a própria vida, como uma forma de por fim à dor interna.

Outrossim, de acordo com dados do Ministério da Educação, entre 2012 e 2014, os índices de suicídio entre os jovens teve um aumento de 10%. Tal indicativo revela-se como um sinal de alerta sobre a problemática do suicídio no país. Desse modo, faz-se importante uma maior atenção dos país  em relação às alterações comportamentais dos filhos. Além disso, as instituições de ensino tem um papel fundamental na identificação de indivíduos que estejam passando por problemas e pensando em suicidar-se, tendo em vista que é no ambiente escolar que os jovens passam grande parte do seu tempo e estabelecem diferentes relações sociais.

Torna-se evidente, portanto, que os caminhos para prevenir o suicídios na jovialidade perpassam pela desconstrução de paradigmas da pós-modernidade e pelo maior engajamento da sociedade no assunto. Destarte, urge que o Ministério da Saúde promova políticas públicas para que haja o atendimento psicológico, por profissionais da área, em centros de saúde  e escolas de forma gratuita, com o fito de que os psicólogos possam auxiliar, sobretudo crianças e adolescentes, no processo de enfrentamento das intempéries contemporâneas, desmistificando certos medos e preceitos. Ademais, é importante que a mídia não trate o assunto como tabu, assim externando-o para a sociedade, com o objetivo de que tanto no âmbito familiar, quanto no escolar, haja o redobramento das atenções para com os indivíduos e seus estados emocionais, assim como um possível encaminhamento a um profissional em casos de depressão. Assim, menos jovens terão o mesmo destino de Van Gogh.