Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 11/10/2018
A evasão da realidade, característica do Romantismo,causava nos heróis românticos a sensação de que a morte era a solução para os conflitos existenciais, chegando, inclusive, ao suicídio.Fora do espaço literário, é possível observar que o pensamento perpetua entre os jovens brasileiros, o que demonstra a ausência de programas governamentais que trabalhem efetivamente na prevenção e a negligência social acerca da problemática.Desse modo, é necessário que o cenário desafiador seja alterado.
Em primeiro plano, persiste a indiferença das autoridades no que tange à prevenção do suicídio. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “Instituição Zumbi” no qual Estado perdeu sua função na sociedade, porém manteve o seu formato.Sob essa conjectura, o Poder Público brasileiro corresponde a teoria do sociólogo, na medida em que não elabora caminhos para prevenir os atos suicidas.Nesse contexto, fatores como a depressão e até mesmo o bullying são tratados separadamente.Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, entre 2011 e 2016, 62.804 pessoas tiraram suas vidas no país, o que demonstra a urgência de tratar as causas e o próprio ato como um caso de saúde pública.
Concomitantemente essa questão estrutural, quando Émile Durkheim analisou na obra “O suicídio” que, quanto maior o grau de solidariedade social, mais ancorados estão os indivíduos e menos probabilidade haverá de cometerem suicídio, corrobora-se a ideia de que o individualismo, comum e assustador na sociedade vigente, contribui para que a taxa de suicídio esteja cada vez maior.Sendo assim, não é razoável que a supremacia do egoísmo promova uma relação perigosa com os jovens. Nesse viés, é preciso que fatores psicossociais sejam debatidos com o corpo social, como o uso de drogas lícitas e ilícitas, a baixa auto-estima e até mesmo a maneira como estudam para os vestibulares.
Impende, pois, que o suicídio deixe de ser realidade entre os jovens no Brasil. Para que isso se concretize, a Organização Mundial da Saúde junto às instituições públicas devem promover debates entre profissionais especialistas nos casos de depressão e a comunidade, identificando e elucidando as tendências de suicídio nos jovens, incentivando uma reflexão e um alerta frente a essa situação, a fim de amenizar o número de casos e impulsionar a participação tanto do Poder Público quanto da sociedade na prevenção.Assim, a partir da ação conjunta o suicídio dará lugar aos laços sociais fortalecidos.