Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 12/10/2018

“Para o deprimido, o mundo deixa de ser colorido”, frase do escritor brasileiro Aloísio de Abreu que retrata como uma parcela crescente dos jovens veem o mundo atualmente. Tanto que, segundo os dados publicados pelo Ministério da Saúde, em 2017, ocorreram mais de 230 suicídios por mês entre jovens de 15 a 29 anos. Desse modo, o suicídio pode ser considerado um problema de saúde pública, já que sua incidência é alta e constante, sendo agravado pela dificuldade em se debater o assunto, bem como pelas relações individualistas da sociedade moderna.

A princípio, a segunda geração do romantismo, foi marcada pela romantização da depressão, chamada na época de melancolia. A título de exemplo, durante a obra “Os sofrimentos do jovem Werther”, escrito por Goethe, o protagonista homônimo tira a própria vida após um desilusão amorosa. Por conseguinte, muitos jovens europeus passaram a imitar o suicídio do personagem. Desde então, o suicídio passou a ser um assunto que não se falava abertamente, já que acreditava-se que falar dele poderia induzir as pessoas à prática. Atualmente, apesar de ter ganhado espaço em séries como “13 Reasons Why”, o suicídio continua sendo um assunto vedado pela população, fator esse que contribui com a problemática, já que os jovens não conseguem apoio e auxílio de pessoas próximas. Desse modo, muitos se expõem e procuram ajuda nas redes sociais, que atualmente tornou-se um ambiente que incentiva atitudes suicidas, aproveitando-se da fragilidade emocional de quem está desprotegido.

Ademais, o olhar hodierno da sociedade dificulta a visualização dos sinais com tendências suicidas. A esse respeito, Zigmunt Bauman, sociólogo polonês, defendia que o homem pós-moderno está sujeito e direcionado a olhar para si como ser individual e não mais como coletivo. Em suma, os indivíduos, voltam seus olhares para si e se esquecem da convivência com o outro, negligenciando relações interpessoais no ambiente de trabalho e familiar. Isto é, não percebem mudanças no comportamento das pessoas que convivem, como: agressividade, sonolência e desmotivação. Sendo assim,as relações líquidas cooperam com o suicídio, já que influencia significativamente os pensamentos suicidas.

Somando-se aos aspectos supracitados, estratégias são necessárias para reverter esse cenário. Para isso, o MEC juntamente com o Ministério da Cultura devem desenvolver palestras em escolas, para alunos do Ensino Médio, por meio de entrevistas com vítimas do problema, bem como especialistas no assunto. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais dos ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o suicídio e atingir um público maior. Por fim, é preciso que a população canarinha debata o assunto, a fim de apoiar pessoas de seu eixo de relações que estão vulneráveis. Só assim, o planeta voltará a ser visto colorido.