Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 15/10/2018

No século XV, indivíduos com transtornos psicológicos eram considerados vítimas de possessões demoníacas, que deveriam viver eternamente isoladas. Hodiernamente, tal comportamento foi alterado, mas o estigma em torno de tais patologias permanece e dificulta a prevenção do suicídio entre os jovens brasileiros, na medida em que configura o tema como um tabu e negligencia o atendimento às vítimas.

A princípio, cabe destacar que, de acordo com Stuart Mill, toda prática não contestada tende a enraizar-se na sociedade. Em vista disso, depreende-se que ausência de debates responsáveis sobre as causas e formas de prevenção do autocídio, devido à dificuldade histórica de falar sobre o assunto, prejudica a atenuação dos casos, considerando a importância da conscientização social. No entanto, tal omissão não resolve a problemática, tendo em vista o aumento de 10% dos casos desde 2002, segundo o Mapa da Violência.

Além disso, é válido considerar a dificuldade do Estado em lidar com os pacientes de transtornos psicológicos. Consoante a Durkheim, o suicídio é resultado do contexto social inerente ao indivíduo. Analogamente, a falta de capacitação dos profissionais escolares, para identificar e auxiliar os jovens com situação emocional vulnerável, torna-se um obstáculo na prevenção dos casos, tendo em vista a importância do ambiente escolar na adolescência. Como resultado, 90% dos casos de autocídio é causado por patologias psicológicas, segundo o Ministério da Saúde, o que torna claro a necessidade de debate e atuação do Poder Público para a alteração do atual quadro.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde elaborar uma campanha educativa, com comerciais de TV e panfletos e cartazes a serem distribuídos nas escolas do país, que apresentem as causas e os meios de prevenção do suicídio, a fim de conscientizar a população e atenuar a desinformação acerca do tema. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, ministrar palestras, com especialistas, que instruam os professores e diretores a identificar e auxiliar os discentes com possíveis vulnerabilidades emocionais, com o intuito de cooperar para a alteração do estigma histórico-social.