Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 17/10/2018
A campanha conhecida como Setembro Amarelo visa à conscientização popular em relação ao ato suicida, que ainda é alvo de preconceito e intolerância no Brasil. Indubitavelmente, projetos como o destacado são prioritários para as sociedades modernas, caracterizadas pela restrita coesão e pela impessoalidade das relações humanas, intermediadas pela conexão virtual e pela burocracia. Dito isso, torna-se evidente que, inicialmente, é preciso abordar e desmistificar a questão do suicídio nessa fase histórica em que medicamentos antidepressivos são comprados com naturalidade e frequência constante, como simples analgésicos.
Nessa vereda, faz-se necessário retratar a intensa propagação do paradigma da “juventude do prazer” pela mídia, uma questão que pode estar associada à insatisfação de muitos jovens quanto a sua realidade. Isso porque, intricado ao modelo capitalista vigente, o meio midiático difunde o modelo de geração que tem e pode tudo, que adquire e troca seus bens com extrema velocidade e que vive de forma absolutamente feliz dentro desses padrões. Entretanto, tal concepção tão divulgada não passa de uma ilusão que influencia o comportamento e as expectativas dos mais novos. Assim,quando essa construção é quebrada pela experiencia do mundo real, a frustração pode ser imensa e, associada a outras problemáticas pessoais, transformar o indivíduo em um suicida em potencial.
Além do que foi assinalado, outro fator dificulta a prevenção do ato supracitado: a dificuldade dos pais e educadores em lidar com o tema, já que a realidade social e cultural da atual juventude não é a mesma das antigas gerações. Nesse contexto, a falta de comunicação familiar - principalmente em relação à depressão e ao suicídio, historicamente excluídos da problematização social - e de abordagem escolar, prejudicam a efetivação de políticas preventivas.
Com base no pressuposto, é inegável o dever da família com o intuito de evitar possíveis suicídios. Para isso, os responsáveis precisam procurar entender a nova conjuntura das relações sociais (pesquisando ou mesmo participando ativamente, como muitos já o fazem) e, com empatia, discutir questões de caráter emocional com os jovens. Assim, com a manutenção das campanhas governamentais como o Setembro Amarelo, é possível desmistificar o tabu que circunda o ato suicida. Além disso, pais e escolas devem estar atentos ao conteúdo vinculado nas redes sociais, denunciando jogos e aplicativos que, como o conhecido Baleia Azul, influenciem os mais novos ao problema que se deseja prevenir. Com abordagem direta, constante e diversificada, é possível livrar muitos - em especial a juventude - do risco de extinguir a própria vida, simplesmente com compreensão e tolerância.