Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 19/10/2018
O suicídio é a segunda principal causa de morte entre pessoas com idades entre 15 e 29 anos; a primeira é a violência, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), em pesquisa lançada em 2017. No Brasil, o boletim sobre suicídio publicado pelo Ministério da Saúde, também em 2017,l indica que 11 mil pessoas tiram a própria vida a cada ano. Esse cenário é o reflexo dos ínfimos investimentos à saúde pelo Estado e ao enfermo modelo de socialização atual.
A priori, o sucateamento das unidades de saúdes e hospitais, no que tange ao acolhimento e à ajuda às pessoas doentes, é o fator vital no aumento da problemática, chamada de mal do século XXI; haja vista que, de acordo com o psicólogo Edwin Shneidman, enquanto mais cedo for descoberta a doença, a probabilidade de cura é maior. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do contratualista John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos gozem de direitos imprescindíveis (como direito à saúde e ao bem-estar social).
Sob outro viés, é de fundamental importância discutir a responsabilidade da família em detectar comportamentos estranhos em seus filhos e, dessa maneira, facilitar o tratamento, com o objetivo de evitar problemas mais graves e até mesmo o suicídio. No entanto, as relações afetivas e sociais encontram-se obsoletas, uma vez que os indivíduos passam mais tempo conectados às redes sociais em detrimento da companhia real. Isso, consoante ao sociólogo polonês Zygmunt Bauman, caracteriza-se como a falta de solidez nos vínculos sociais, a “modernidade líquida”. Assim, esse quadro encaixa-se como motor preponderante na extensão da situação vigente.
Visto isso, faz-se necessária a reversão de tal contexto. Para isso, é preciso que o Governo Federal, aliado ao Estado, aplique os projetos vigentes de recuperação e de melhoria das unidades de saúde, por meio de investimentos sólidos e na contratação de mais psicólogos e médicos especialistas na doença, com fito de que os enfermos recebam a abordagem correta e, desse modo, se reduzam os números de pessoas que tiram a própria vida. Não obstante, é imprescindível que o Governo Estadual, junto à mídia, intensifique as campanhas publicitárias a respeito do suicídio e destaque à influência da família e amigos no apoio contra esse impasse social, para que se estabeleça conexões mais fortes e, desse jeito, se vença à autodestruição e a harmonia social seja alcançada.