Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/10/2018

A série estadunidense “13 Reasons Why” inspira-se em um problema real ao retratar os acontecimentos traumáticos que levam a protagonista, uma estudante do ensino médio, à tirar a própria vida. Embora a produção evoque um debate fundamental acerca da importância do amparo psicológico, a riqueza de detalhes sobre o método utilizado no suicídio desobedece a cartilha da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pode realizar um desserviço no que se refere à prevenção desse fenômeno pelo que a psicanálise denomina “Efeito Werther”.

A princípio, tem-se que o número de jovens entre 15 e 29 anos vítimas de suicídio Brasil cresce a cada ano. Apesar da criação do Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio criada em 2015, os dados mais recentes apontam cerca de 2900 mortes, de acordo com o Mapa da Violência de 2017. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, em sua obra “O Suicídio”, trata-se de um fênomeno social e uma maior coesão das instituições às quais a pessoa está vinculada podem impedi-la de cometer tal ato. Assim, a presença de profissionais de saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, nas escolas pode colaborar para a prevenção do suicídio entre jovens.

Contudo, não basta a assistência psicossocial, é preciso evitar o Efeito Werther, termo usado para designar a vasta emulação de suicídios depois de um exemplo amplamente divulgado. O nome do efeito origina-se do livro “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, escrito por Goethe no século XVIII, em que a morte autoinfligida do personagem levou um grande número de jovens a reproduzi-la. Com esse intuito, a OMS criou uma cartilha voltada à profissionais da mídia, com orientações para a representação do suicídio a serem veiculados nos meios de comunicação, no entanto, as diretrizes não são sempre seguidas, graças ao caráter optativo.

Posto isso, faz-se imprescindível que o Ministério da Saúde, em parceria com a associação civil sem fins lucrativos Centro de Valorização da Vida (CVV), disponibilize assistência psicossocial para os estudantes de escolas de ensino público, de nível fundamental e médio, por meio do cadastro e seleção de voluntários aptos para o serviço. Ademais, o Congresso Nacional deve alterar a legislação de regulação da mídia, tornando obrigatório o cumprimento das instruções presentes na cartilha da OMS “Prevenção do suicídio: um manual para profissionais da mídia”, assim, inibindo a circulação de conteúdos que induzam ao suicídio.