Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/10/2018

O sociólogo Émile Durkheim, em seu livro “O suicídio”, explica o ato de tirar a vida como consequência das relações do indivíduo na sociedade. Embora seja uma ação normal ao logo da história, o suicídio, na contemporaneidade, demonstra ser um importante objeto de estudo devido ao crescimento de casos. Sobre esse tema, dois aspectos fazem-se relevantes: a razão do aumento e a negligência social para com o assunto.

A priori, é factível ressaltar a correlação das transformações sociais na modernidade com o aumento do suicídio. Para o sociólogo Zygmunt Bauman, uma das consequências da sociedade líquida é a efemeridade das relações sociais, na sociedade hodierna, em consequência do mundo globalizado. Sobre essa perspectiva, o aumento do suicídio é impulsionado pela fragilidade das instituições sociais no qual sobrecarrega as responsabilidades do indivíduo devido as constantes pressões sociais. Prova disso é a pesquisa divulgada pelo jornal O globo, no que consta a taxa de suicídio dos povos indígenas como três vezes maior da taxa nacional. Dessa forma, fica evidente que a sociedade oriunda de sistema capitalista exerce influência às minorias que, por causa das constantes mudanças, sofrem com os anseios do mundo moderno.

No século XVIII, o lançamento do livro de Goethe – Os sofrimentos do jovem Werther– retrata um cenário de decepção amorosa em que o personagem encontra a solução no suicídio. Apesar de ser outro contexto social, essa obra é atemporal pelo efeito causado na sociedade: o efeito Werther – o suicídio praticado pela influência de outrem. Ainda que duvidoso e pouco difundido pelos meios de comunicações, a sociedade tem um papel fundamental no amparo e divulgação de conteúdo que incite ou propague a influência do suicídio. Sendo assim, faz-se necessário a precaução para ajudar essas pessoas que são suscetíveis ao ato suicida.

Urge, desse modo, uma ação do Estado para amenizar os casos de suicídio na atualidade. Para isso, é necessária uma participação em conjunto de ONG’s que atendam a causa da prevenção do suicídio e do Governo Federal (Ministério da Saúde) para atender essas pessoas vulneráveis emocionalmente no SUS (Sistema Unitário de Saúde) com psicólogos especializados e com atividades de reuniões comunitárias (oferecidas pelas ONG’s) com o objetivo a oferecer um atendimento e tratamento psicológico para essas pessoas. Paralelamente, cabe ao Ministério de Comunicação criar um órgão fiscalizador de publicidade e conteúdo (tanto na internet, mídias tradicionais e na literatura) de modo a prevenir abordagens ao tema de forma equivocada a fim de evitar o efeito Werther.