Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 23/10/2018
É indubitável que a coletividade possui função imprescindível na construção da moral. Tal qual descrita por Durkheim, na teoria do “Fato Social’’, a sociedade é uma instituição de caráter generalista, exterior e coercitiva e, portanto, é responsável por domesticar os cidadãos a partir de seus preceitos tradicionais. Nesse contexto, o Brasil apresenta uma mancha histórica que, em consonância com um Estado desqualificado, evidencia a ineficiência na prevenção dos suicídios entre os jovens, acarretando em percalços sociais inerciais e duradouros.
Em primeira instância, a atuação do antigo hospício de Barbacena, Hospital Colônia, é uma das principais tragédias da saúde psíquica já expostas. O funcionamento do sanatório se deu entre os anos 1930 até 1980 e foi responsável pela morte de mais de 60 mil internos que foram deixados à margem da sociedade e abandonados como indigentes aos cuidados atemorizadores dos funcionários violentos. Este fato apresenta traços similares a uma autêntica realidade ainda conhecida: a estigmatização dos indivíduos que convivem com os transtornos mentais. Nesse parâmetro, os jovens que sofrem com problemas de autoaceitação, segurança e estabilidade emocional, são, por vezes, tachados de xingamentos descabidos, que ocasionam disfunções como a depressão, ansiedade e síndrome do pânico, podendo levar ao suicídio.
Como sequela, não obstante o Artigo 5º da Constituição garantir o direito à vida, à igualdade, à propriedade, à liberdade e à segurança de todos, sem distinção de qualquer natureza, a legislação ainda se mostra ineficaz e arcaica, uma vez que o medo perene ainda prejudica as relações sociais. Tristemente, a apatia e o egoísmo sintomáticos da sociedade são entraves que perpetuam o amedrontamento excessivo de incompreensão, que, pelo fato de não ter indícios previamente estabelecidos, consegue ser mascarado por intermédio de um fingimento de bem-estar, explicitando a urgência em tornar real a máxima maquiveliana ‘’nada é tão difícil ou perigoso do que tomar frente na introdução de uma mudança.’'
Diante dos fatos supracitados, é necessário que o governo utilize os principais meios comunicativos, como a televisão, internet e jornais para realizar campanhas diárias que irão discorrer acerca da questão do suicídio, com falas técnicas de profissionais capacitados da área e depoimentos de vítimas, da família, dos amigos e de outras pessoas próximas, que irão confirmar, tanto a veracidade da doença, quanto irão expor as formas de auxílio que podem ser aplicadas pelo corpo social para amenizar a situação debilitada a qual esses indivíduos estão expostos. Posto isto, seria possível reverter o quadro de exclusão histórica retratado e transformar a vida de diversos jovens.