Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 24/10/2018

A segunda geração do Romantismo foi marcada por uma busca pela evasão da realidade, em que a morte era desejada e vista como forma de resolver definitivamente os problemas. De maneira análoga, observa-se que tal idealização perpetua-se na contemporaneidade, tendo vista que os índices de suicídio estão aumentando progressivamente, os quais são influenciados pelo preconceito e pela vulnerabilidade dos laços interpessoais.

Em primeiro análise, é importante destacar que o tabu impede a prevenção dessa prática. Isso porque o preconceito acerca do tema, o qual é caracterizado como pecado, fraqueza ou algo vergonhoso faz com que muitas pessoas evitem abordar e até mesmo proibir o assunto. O silêncio, porém, camufla outro problema: a falta de conhecimento sobre o que, de fato, leva os indivíduos a se matarem. Em decorrência dessa falta de diálogo e informação, dificulta-se a identificação de algum transtorno mental passível de tratamento, como a depressão, que, em grande parte dos casos, está relacionada à autoquíria.

Outro fator válido de se ressaltar é a fragilidade dos laços entre os indivíduos. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o grau de coesão das instituições às quais a pessoa está ligada pode preservá-la ou estimulá-la a cometer um ato dessa natureza. Nessa perspectiva, com a forte presença do individualismo na sociedade moderna, os elos interpessoais encontram-se cada vez mais frouxos e o indivíduo, quando não se integra mais ao meio social, busca a autodestruição para fugir da realidade opressora. Dessa maneira, percebe-se que não é por acaso que, segundo dados do Mapa da Violência 2017, a taxa de suicídio aumentou 60% desde 1980.

Diante desses impasses, necessita-se, urgentemente, que as escolas quebrem o tabu, por intermédio de palestras e dinâmicas de grupos ministradas por psicólogos, a fim de promover o conhecimento e uma maior abertura ao diálogo. Paralelamente, o Ministério da Educação deve desconstruir o individualismo por meio da implementação de uma política de incentivo à leitura nas escolas, sobretudo da literatura - haja vista o seu poder de provocar emoções e uma nova forma de ver o mundo - visando fortalecer os vínculos humanos. Desse modo, é possível que o ideal romântico deixe de ser uma realidade.