Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 25/10/2018
Desesperança. Desespero. Desamparo. Esses são os 3 D’s, que segundo o psiquiatra Jorge Jaber, podem levar uma pessoa a retirar a própria vida. O Brasil ocupa o 8◦ lugar no ranking mundial de mortes causadas por suicídio, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, esses números só tendem a crescer, pois, dados do Mapa da Violência, divulgados pelo Ministério da Saúde, revelam que nos últimos anos, o número de suicídios entre jovens de 15 a 29 anos só aumentou. Entender as motivações que levam os jovens a atentarem contra a própria vida, seja por doenças psicológicas ou anomalias sociais, é uma excelente forma de se prevenir o suicídio na sociedade.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que as doenças psíquicas e transtornos emocionais são as principais causas que levam ao suicídio. Depressão, esquizofrenia e ansiedade são exemplos de doenças que fragilizam os indivíduos, tornando-os mais suscetíveis a se suicidarem. O sociólogo Émile Durkheim, relatou o suicídio como um fato social, ou seja, não é apenas individual, é algo de que a sociedade tem culpa e, portanto, tem papel na prevenção. A exemplo disso, o “bullying” é um ato de agressão física ou psicológica, cometido pela sociedade de forma intencional ou não, mas que pode causar transtornos emocionais em quem é agredido. O tipo de suicídio, nesse caso, foi caracterizado por Durkheim como suicídio egoísta, pois faz com que as vítimas não se sintam pertencidas e se isolem socialmente.
Além disso, os meios de comunicação têm papel fundamental na influência ou na prevenção do suicídio. Em 1974, o sociólogo David Philips, criou o termo “efeito Werther”, que caracteriza o ato imitativo do suicídio. O nome advém da obra “Os sofrimentos do jovem Werther”, na qual o personagem se mata por amor; logo após sua publicação, dezenas de jovens morreram de forma semelhante, o que ocasionou a proibição do livro em alguns países. Citando caso análogo, em 1962, após o suicídio do ícone hollywoodiano, Marilyn Monroe, mais de 300 jovens tiraram a própria vida; já na década de 1990, o mesmo aconteceu com a morte do astro Kurt Cobain. Sempre que a mídia noticiava suicídios de celebridades, uma epidemia de mortes abalava o pais, fazendo-se valer o que propôs David Philips. Torna-se evidente, portanto, que o suicídio é uma questão de importância pública e social. Para o combate, é necessário que os Ministérios da Saúde e da Educação, por intermédio dos meios de comunicação como a televisão e as redes sociais, promovam campanhas de prevenção ao suicídio, por meio de propagandas que explicitem a importância de o assunto ser tratado em sociedade e de como as vítimas de transtornos emocionais podem fazer para buscar ajuda; para isso, deve-se divulgar o Centro de Valorização da Vida (CVV). Ademais, as campanhas não devem acontecer somente no “setembro amarelo”, mas sim no decorrer de todo o ano, pois falar é o primeiro passo para o combate.