Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 31/10/2018

A Constituição de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - defende a Dignidade da Pessoa Humana no tocante às  liberdades individuais. Todavia, o direito à vida não é usufruído na prática pela sociedade brasileira com o crescimento dos casos de suicídios entre os jovens, devido a fatores socioculturais como o isolamento, perdas de vínculos afetivos e a violência. Com efeito, a resolução dessa problemática é medida que se impõe.

Primeiramente, é importante frisar o tabu imposto na população quanto ao suicídio. A esse respeito,  a série original da Netflix, “13 Reasons Why”, dividiu o público ao expor de forma direta o tema e os motivos que levaram a protagonista a tirar sua própria vida. Ocorre que, fatores sociais, como o bullying, isolam o indivíduo na medida que sua inserção no corpo social é negada. Ademais, o vitimismo, muitas vezes justificado pelos agressores e imposto pela família, induz o jovem à solidão e marginalização, com a perda do relacionamento familiar, à medida que o tabu estabelecido seja conservado, o que se configura grave problema na contemporaneidade.

Outrossim, a incapacidade da sociedade de exercer a alteridade impede a atenuação dos casos de suicídio. Nesse contexto, Zygmunt Bauman, filósofo polonês, afirmou em sua obra “Modernidade Líquida” a incompetência do homem, na contemporaneidade, de se colocar no lugar do outro (alteridade), em uma relação baseada nos valores das diferenças e no diálogo, sustentando a individualidade. De outra forma, causas como a violência física e verbal configuram fatores que, se observados pela família e escola, podem combater as tentativas de suicídio, conforme pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que 90% do casos poderiam ser evitados.

Em suma, a necessidade de resolução do problema é de imediato em um Estado Democrático de Direito. Cabe ao Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Ministério da Saúde, promover palestras e rodas de conversas com psicólogos, a fim de permitir o jovem se expressar, tirando-o de seu isolamento e exercitando a empatia. Além disso, é fundamental a presença dos pais na observação das ações de seus filhos e sintomas que induzem à depressão, estimulando o diálogo aberto. Dessa forma, a dignidade da pessoa humana será preservada.