Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 29/10/2018

Na obra literária alemã “Os sofrimentos do jovem Werther”, de John Goethe, o protagonista Werther encontra no suicídio uma forma de amenizar a angústia de um amor não correspondido, atentando contra a sua própria vida. A temática da infelicidade, abordada na obra, atingiu um público alvo específico, constituído por jovens leitores do século XVIII, que se identificaram com os anseios do personagem e a sua visão de que a morte era a sua libertação. Hodiernamente, percebe-se que esse problema de saúde pública é iminente no Brasil, uma vez que as taxas de suicídio entre jovens se faz crescente, evidenciando a necessidade de maior atenção a esse cenário desnorteante.

Primeiramente, segundo dados do Ministério da Saúde, a taxa de suicídio entre jovens no Brasil, principalmente, na faixa etária de 19 a 25 anos, aumentou 75%. Pois assim como na Idade Média, na qual a morte autoinfligida era vista como crime, por lesar os interesses da Coroa, o autocídio costuma ser estigmatizado na sociedade atual, tendo em vista a banalização dos casos de bullying nas escolas e agressões verbais e físicas à minorias ainda não aceitas, como homossexuais. Além disso, adultos responsáveis, que costumam ignorar os motivos antecedentes pelos quais seus filhos, por exemplo, atentaram contra a sua própria vida, indiretamente contribuem para o aumento na incidência desses casos, uma vez que a falta de orientação doméstica, ou proteção paterna, fragiliza o psicológico desses jovens, que sentem-se impotentes diante de suas dificuldades, e buscam a morte como solução.

De maneira semelhante, a busca pela autoaceitação em uma sociedade na qual vigora a cultura da popularidade, baseada, também, na obsessão pelo corpo ideal, contribui para o enfraquecimento da autoestima de muitos jovens, uma vez que não encontram o seu espaço no convívio social, resguardando para si todo o seu sofrimento. O que, em tese, pode ser evidenciado na série “Os 13 Porquês”, produzida pela Netflix, na qual a personagem principal, Hanna, ciente de que não seria compreendida, após diversas tentativas fracassadas de diálogo, considerou a sua morte como uma maneira de aceitar a si própria, atentando contra a sua própria vida.

Portanto, indubitavelmente, O Ministério da Educação, em parceria com a Organização Mundial da Saúde, deve investir no treinamento de profissionais pedagogos, para que saibam identificar, nas escolas, tendências que caracterizem a depressão ou transtornos que aumentem o apreço pelo suicídio por parte de jovens adolescentes, para que sejam devidamente orientados por psicólogos, mitigando esse cenário. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de campanhas voluntárias, espalhar cartazes com exemplos de obras literárias que auxiliem na construção da autoestima, a fim de que seja despertado nos leitores, o senso crítico necessário para que o verdadeiro valor da vida seja visto.