Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 31/10/2018

“Os Sofrimentos do Jovem Wether”, clássico da literatura do século XVIII, expõe a vida de um adolescente que, após uma desilusão amorosa, atentou contra a própria vida. Tal obra foi tão impactante no cenário da época, que desencadeou uma série de suicídios, culminando na criação do termo “Efeito Werther”. De maneira análoga, o Brasil hodierno ostenta um crescimento de autocídios, mostrando que esses ideais literários se fazem presentes no cenário nacional. Com efeito, analisar as causas do problema a fim de prevenir futuras consumações do ato é medida que se impõe.

Em primeira análise, cabe destacar como a ditadura da felicidade corrobora para o aumento do número de suicidas no Brasil. De fato, com o advento das redes sociais, o parecer sobrepõe o ser, na medida em que o vasto horizonte online não consegue traduzir emoções negativas em algo rentável tão bem quanto vende vidas felizes. Desse modo, sentimentos humanos elementares, como a angústia e a tristeza, são repelidos, sendo, inclusive, passíveis de medicalização. Assim, a mentalidade simplista de tratar emoções com remédios apenas contribui para o silenciamento – metafórico e literal – da questão. Não obstante, um estudo feito pelo sociólogo Jack Hinrichs associou o aumento do número de suicídios de jovens ao uso da internet em 2015.

Ademais, é importante ressaltar a negligência familiar, estatal e midiática sobre o assunto. Ao tratar a problemática como tabu, muitas famílias não conversam sobre suicídio com seus filhos, causando um entrave no que tange à descoberta de possíveis comportamentos de autoviolação. Ademais, a mídia ainda possui receio do Efeito Werther, isto é, medo de que ao tocar no assunto, encoraje jovens a praticar o suicídio. Outrossim, a maioria das escolas carecem de um profissional capaz de oferecer acompanhamento psicológico aos alunos e debater acerca de doenças psicossociais, como a depressão. Por conseguinte, acultura-se a população sobre a banalização e o descaso para com a situação. Tais fenômenos são alarmantes, haja vista que cerca de 90% dos suicídios poderiam ser evitados, segundo a OMS.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para alterar o cenário vigente. É dever da mídia desmistificar o suicídio, por meio de novelas, programas, etc. que retratem de forma hígida e fidedigna a seriedade da problemática do autocídio, com o intuito de reduzir o silêncio em relação ao assunto, a fim de incentivar os jovens a procurar ajuda médica. Além disso, é imprescindível que o Ministério da Educação inclua profissionais capacitados nas escolas que possam ofertar acompanhamento psicológico adequado, de modo a garantir a integridade física e psicológica dos jovens. Talvez, assim, poderemos construir um futuro em que os brasileiros não tenham o mesmo fim que o jovem Werther.