Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/11/2018

Segundo Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da “Modernidade Líquida”, vivenciada durante o século XXI. Analisando o pensamento do sociólogo polonês, essa realidade imediata perpetua-se com o suicídio entre os jovens brasileiros, o qual tem apresentado aumentos significativos. Nesse sentido, para um possível combate à esse problema, é preciso uma análise de suas verdadeiras causas.

A princípio, cabe avaliar o meio familiar no qual o jovem está inserido. De acordo com o pensador Talcott Parsons, a família é uma fábrica que produz personalidades humanas. Analogamente, as famílias desses infantes não tem dado o cuidado necessário à saúde mental deles, como diálogos constantes. Assim, muitas vezes os pais não conseguem identificar os sinais que indicam que uma pessoa está vulnerável ao suicídio, como tristeza, depressão e isolamento social. Logo, um caminho para combater esse impasse é o estímulo ao diálogo e cuidado familiar com os jovens.

Ademais, ressalte-se que, segundo o Mapa da violência, entre 2002 e 2014 o suicídio entre os jovens no Brasil cresceu quase 10%. Acerca disso, o sociólogo Émile Durkheim analisa o suicídio como um fato social, ou seja, algo que recebe influências do meio social a qual o indivíduo está submetido. De fato, isso pôde ser percebido quando, durante a crise econômica de 1929, muitas pessoas tiraram a própria vida. Nos dias atuais, esse ato ainda é visto como a saída para problemas que a analisada faixa etária sofre, a exemplo da falta de aceitação social (seja por questões de perdas amorosas, orientação sexual, questão racial, entre outros). Dessa forma, uma possível solução para essa questão seria mostrar aos jovens o quão importantes todos eles são para a sociedade.

Impende, portanto, que o Ministério da Educação juntamente com o Ministério da Saúde crie um projeto - que pode receber o nome de “Brasil sem suicídio” - para ser desenvolvido nas escolas, o qual venha discutir a questão do suicídio e da depressão, por meio de palestras com especialistas no assunto, distribuição de cartilhas informativas e atividades elucidativas entre os alunos, a fim de que jovens e adolescentes sintam-se mais inseridos e mais importantes. Paralelamente, a Mídia deve, por meio de propagandas na TV aberta e nas redes sociais, informar aos pais sobre a importância da conversa em família e mostrar os sintomas de uma pessoa suicida, com o propósito de que mais suicídios sejam evitados no Brasil. Somente assim, poder-se-á combater a liquidez descrita por Bauman.