Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 02/11/2018
Segundo o pensamento de Zygmunt Bauman, a condição sociocultural do homem hodierno é marcada pela liquidez, assim como pela frustração de viver em uma sociedade que tem seu ethos modificado constantemente. Esse panorama auxilia na análise da questão do combate ao suicídio entre jovens no Brasil, visto que, como consequência do imediatismo, eles mostram-se despreparados para encarar desafios e, além disso, sofrem com o descaso do Estado e da família para com sua saúde mental.
Em primeiro plano, evidencia-se que, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 98% dos casos de um grupo de 15 mil suicídios, a vítima tinha algum transtorno mental. Houve, nesse contexto, aumento significativo de depressão entre os jovens de 12 a 25 anos, segundo estudo da Universidade Colúmbia. Esses dados confirmam que as crianças mais susceptíveis a desenvolver essa patologia estão entrando na vida adulta e, consequentemente, tendo seu primeiro e infeliz contato com as pressões sociais. É inadmissível que, no tecido social brasileiro, fundamentado na modernidade líquida de Bauman, o suicídio seja tão presente.
Outrossim, os dados do estudo da OMS confirmam também que, se tratadas as patologias, os suicídios poderiam ter sido evitados. Observa-se, no entanto, descaso por parte do Estado e da família para com a saúde mental do jovem. Doenças mentais são, muitas vezes, vistas de forma rasa e estigmatizada, o que gera agravamento da situação da provável vítima. Destarte, é incontrovertível que haja medidas públicas para alterar esse cenário. É necessário, portanto, que o governo, por meio do Ministério da Educação, insira a promoção de psicólogos nas instituições de ensino, com parcerias público-privadas, a fim de evitar casos de suicídio. A ação integrada do Estado com a família e as escolas far-se-á imprescindível na proteção dos jovens brasileiros.