Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/11/2018

Socorro prematuro

O livro “As Vantagens de ser invisível”, do autor norte-americano Stephen Chbosky, retrata como um suicídio pode afetar um adolescente e o que pode levar alguém à automutilação, como é no caso do protagonista Charlie, que enfrenta a depressão após seu amigo ter se matado. No Brasil, o suicídio é a segunda causa de morte dos jovens brasileiros, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dessa forma, é importante a discussão acerca desse problema e as possíveis resoluções para esse panorama.

Em primeira análise, pode-se apontar o bullying e o cyberbullying como fatores que estimulam esse problema, já que esses são gatilhos para depressão e, inclusive, autodestruição. De acordo com a pesquisa publicada pelo Canadian Medical Association Journal, os adolescentes, vítimas dessas agressões, correm maior risco de apresentar comportamento suicida. Ademais, também podem ser considerados motivos que desencadeiam tais atos: histórico de abusos, dificuldade em lidar com a própria sexualidade e conflitos em suas famílias.

Nesse contexto, infelizmente, é regular a negligência da coordenação de escolas, sejam públicas ou privadas, pois essas não promovem campanhas de prevenção e, muito menos, fornecem assistência psicológica para seus alunos, já que esses também sofrem de outros transtornos, como a ansiedade e problemas relacionados à falta de autoestima. Além disso, segundo a Associação Brasileira de Psicanálise, 10% dos jovens brasileiros possuem depressão e, sobretudo, pelo fato desse assunto ser um tabu, esse problema não recebe relevância, dado que muitos pensam que esse infortúnio não possui grande magnitude.

Em suma, cabe ao Ministério da Educação promover a obrigatoriedade do acompanhamento psicológico em ambientes escolares, a fim de auxiliar os estudantes na melhoria de seus desempenhos, na identificação e tratamento de transtornos e na prevenção do suicídio. Outrossim, o Ministério da Saúde ou organizações não governamentais, por exemplo, devem criar programas de palestras, ministradas por profissionais da área de psicologia, para conscientizar e alertar os pais dos estudantes a como reconhecer os sinais de depressão ou comportamentos suicidas, além de orientá-los a como lidar com a situação e a buscar ajuda profissional. Ademais, é necessária a divulgação de ouvidorias e centros de apoio, como o CVV (Centro de Valorização da Vida). Deste modo, é possível impedir que malefício ganhe mais espaço e fazer com que os jovens não se sintam sozinhos, sabendo que existe uma saída.