Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/11/2018

Segundo o filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman, que utilizou o conceito de “Modernidade Líquida” para definir as relações sociais na atualidade, pode-se observar que as pessoas estão cada vez mais superficiais para com as outras, se importando muito mais consigo do que com o próximo. Reflexo dessa sociedade líquida, nota-se um aumento no número de suicídios, e como esse assunto é um tabu pouco debatido e raramente evidenciado pelas mídias. No entanto, é visível ações sendo tomadas para amenizar essa quantidade de suicídios, cometidos em geral pelos jovens.

Em primeira análise, é impossível falar de suicídio e não falar sobre o livro “Os sofrimentos do jovem Wether”, que retrata um amor platônico que o eu-lírico tinha e que, por não ser correspondido, não viu outra saída além de se matar. O livro ficou muito famoso porque na época que foi lançado, gerou uma onde de suicídios na Europa pois essa é a realidade de muitos hodiernamente, que estão mergulhados em relacionamentos vazios. Não só relacionamentos amorosos, mas também em casa, entre a família que, ultimamente, os pais têm cada vez menos tempo para os filhos devido a correria do dia-a-dia que proporciona um distanciamento familiar. Além dos ciclos de amigos, em que as pessoas, cada vez mais, se isolam nos celulares e redes sociais se importando menos com o próximo. E muitos especialistas afirmam que a principal causa do suicídio é a falta de diálogo.

Em segunda análise, nota-se que o suicídio é um assunto pouco debatido e, por isso, é considerado uma epidemia silenciosa que se espalha, principalmente, no âmbito educacional em virtude do bullying. Nos últimos anos, a violência nas escolas aumentou significativamente, e muitos jovens sofrem com isso, principalmente, os que não tem sua orientação sexual aceita. Em decorrência disso, eles se isolam e acabam entrando em uma profunda depressão. As consequências são visíveis, de acordo com o criador do Mapa da Violência, o sociólogo Julio Jacobo, a taxa de suicídio aumentou 60% desde 1980.

Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para que se fale mais sobre esse tabu e, por conseguinte, o número de suicídios reduza. Para isso, as escolas em parceria com o Ministério de Educação devem mostrar maior preocupação com a questão do bullying, promovendo palestras que discorram sobre as consequências desses atos - o suicídio - na intenção de alertar os jovens sobre essa realidade. Ademais, as políticas de saúde precisam criar projetos de apoio, com a atuação de psicólogos e da família, para tratar os transtornos emocionais dos jovens, para que eles não se sintam sozinhos e desamparados nesse momento.