Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 03/11/2018
Émile Durkheim, notável sociólogo do século XVIII, define anomia, como sendo um momento em que há anormalidades e intempéries na sociedade. Na contemporaneidade, nota-se, que o Brasil vive uma anomalia que se encaixa com perfeição na teoria do filósofo. Isso porque o suicídio entre os jovens tem se tornado um problema que persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela falta de conscientização da população, seja pelo descuido do Estado com a questão. Desse modo, esse estado anômico se mostra como uma ameaça para a sociedade e, por isso, deve ser enfrentado.
Em primeiro plano, é indubitável que uma sociedade desinformada sobre o assunto constitui um obstáculo nesse contexto. Em defesa disso, Jean Paul Sartre já dizia que: “o diálogo cria base para colaboração”. Nessa ótica, percebe-se, que o Brasil rompe com a teoria de colaborativismo proposta pelo filósofo, uma vez que poucos recursos são utilizados para alertar e informar a população sobre os casos de jovens que estão tirando a própria vida, como a mídia, que possui um forte poder informativo e coercitivo. Logo, menos diálogos serão feitos pelas pessoas, devido a falta de informação da situação, o que, segundo Sartre, torna mais difícil a colaboração para suprimir infortúnio.
Outrossim, a desatenção do Estado com o tema edifica outro cenário desafiador. Em defesa dessa assertiva, dados do Instituto de Pesquisa da Universidade de São Paulo mostram que a maioria dos adolescentes não encontram apoio para lidar com a depressão, principal doença impulsionadora do suicídio, segundo Ministério da Saúde. Nessa conjuntura, o princípio de um Estado responsável por fomentar o bem-estar geral é deturpado, haja vista que poucos investimentos são realizados em centros de apoio, com psicólogos que ajudem a tratar a doença, o que corrobora a perpetuação do autocídio entre a juventude no Brasil.
Conclui-se, que o suicídio entre os jovens brasileiros é uma ameaça para o corpo social. Portanto, caminhos devem ser tomados para superar esse revés. Destarte, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas e grandes companhias televisivas de concessão estatal, deve fomentar a conscientização da população sobre o assunto, de modo a promover debates em salas de aula e divulgar propagandas que alertem a recorrência do problema, com o fito de formar cidadãos com uma opinião crítica e consciente da importância da vida no meio social. Em adição, é imperativo ao Estado, por meio de um redirecionamento de investimentos e verbas, construir, nos bairros, clínicas de apoio aos adolescentes, com atendimento gratuito, e psicólogos, a fim de que possam ser tratadas a depressão e outras mazelas que propelem a ocorrência do suicídio. Dessa forma, poder-se-á livrar o Brasil do estado de anomia proposto por Durkheim e, além disso, construir um país mais harmônico.