Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 07/03/2019
’’ Para parar de se sentir mal, talvez a solução seja não sentir mais nada’’. Essa frase faz parte do pensamento da protagonista da série ‘‘Os 13 porquês’’ do livro de Jay Asher ,na qual elucida os motivos que ocasionaram o suicídio da personagem Hannah. Todavia, não são causas apenas da ficção, mas também da realidade de muitos jovens incapazes de enfrentar sozinhos as angústias da vida. Tal cenário, no Brasil, traz à tona uma sociedade despreocupada com os sentimentos das pessoas, tão como pouca discussão acerca do suicídio.
A vida contemporânea revela-se em um rítmo acelerado, em que ‘’não há tempo’’ para o convívio social e, frente a essa perspectiva, existem cidadãos individualistas e apáticos com o sofrimento alheio. Desse modo, um jovem emocionalmente abalado, na maioria das vezes, vítima do bullying, da violência, da depressão e de qualquer tipo de assédio não consegue encontrar o auxílio necessário para eliminar a enorme tristeza a qual passa e, sem equilíbrio, o suicídio torna-se caminho. Tal panorama, infelizmente, é bastante expressivo, pois, segundo a BBC Brasil, dos anos 80 a 2014 houve um aumento de aproximadamente 30% de casos, registrados, de autoextermínio. Nesse viés, as escolas, as quais deveriam ser um apoio aos jovens que não têm o preparo adequado para lidar com o problema, como evitar aqueles tipos de agressões, fracassam e, embora existam psicólogos nas instituições, o sofrimento mental ainda é banalizado, como retrata a série.
Outro fator que culmina na dificuldade de combater o suicídio é a escassa discussão sobre ele, haja vista, durante séculos, o acobertamento do autoextermínio pela mídia ser a ’’única forma’’ de combater esse tipo de morte em prejuízo da identificação e do amparo às pessoas propensas a ele. Tal encobrimento é resultado do ‘‘Efeito Werther’’, caracterizado pela atribuição de inúmero s suicídios na Europa ao personagem que se matou do livro ‘‘Os sofrimentos do jovem Werther’’ de Goethe, precursor do romantismo alemão. No entanto, essa não é a melhor maneira de extinguir o suicídio, e sim prestar ajuda, como tem feito o’’Centro de Valorização da Vida’’- CVV, em que, através do número de telefone 141 presta auxílio às pessoas em crise, mediante conversas que podem transformar a vida delas.
Feitas as devidas ressalvas acerca do alarmante índice de suicídio, é imprescindível as escolas, por meio de psicólogos que visem a focar mais as questões sociais da juventude, como expectativas de futuro e conflito entre colegas, para combater esses problemas que tanto afetam a saúde mental dos alunos. Ademais, o Ministério da Saúde, deve divulgar o número 141 para a sociedade, mediante propagandas institucionais, a fim de alertar a população sobre a grande ocorrência desse autoextermínio e possibilitar o maior acesso à ajuda. Dessa forma, o suicídio não será um caminho.