Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 24/03/2019
A Constituição Federal, disponível no site da Presidência da República, assegura a inviolabilidade do direito à saúde. Contudo, ao observar os caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil, nota-se que essa legislação não é efetivada na prática. Com efeito, o entrave compromete o bem-estar da sociedade, seja pela atualidade efêmera, seja por inoperância estatal.
Convém ressaltar, a princípio, que a efemeridade contemporânea desencadeia o suicídio entre os jovens. Consoante o filósofo Zygmunt Bauman, os residentes do século XXI vivenciam o advento da “modernidade líquida”, cuja problemática provém da instabilidade das relações sociais. Nesse ínterim, como elementos do cotidiano apressado e incerto do escritor, muitos pais não ofertam a atenção necessária aos filhos ou perdem a capacidade de perceber mudanças comportamentais, haja vista que a comunicação é praticamente mediada pela internet. Como pontuou Bauman, essa realidade inédita é responsável por incutir atitudes imprevisíveis, sobretudo na infância.
Além disso, a inoperância estatal também subsidia o panorama. Para o sociólogo Émile Durkheim, as instituições operam de modo interdependente, como um organismo vivo, e a passividade de uma ocasiona o desequilíbrio da sociedade na qual estão imersas. Dessa forma,infere-se que mesmo com a existência de psicólogos em unidades básicas de saúde, as comunidades ainda não têm consciência do perigo das doenças psicológicas e do seu tratamento. Logo, enquanto a disseminação pública da informação for pouco abrangente, não haverá integração funcional e o combate à morte juvenil será mais difícil, conforme Durkheim.
Impende, portanto, que a Constituição Federal seja efetivada na prática. Faz-se necessário que o Estudo da Criança e do Adolescente engaje publicidades na mídia televisiva e digital, que abordem a necessidade do diálogo familiar e como isso pode amadurecer os mais novos, com o fito de suscitar relações mais saudáveis. Ademais, cabe ao Ministério da Educação inserir palestras anuais em escolas públicas, ministradas por psicólogos, informando os sintomas de doenças, como a depressão, e como e onde elas podem ser tratadas, a fim de nortear as comunidades acerca das causas do suicídio. Somente assim a guisa de Zygmunt será rompida, a de Émile aplicada e o Brasil terá caminhos para impedir a mortalidade dos jovens.