Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 29/03/2019
No Brasil, em meados do século XIX, a 2ª Geração do Romantismo surgiu trazendo temáticas mórbidas, como a morte e solidão, causando alvoroço na sociedade da época. Paralelamente, em 2017, a série estadunidense, baseada no livro de Jay Asher, “13 Reasons Why”, foi alvo de polêmica por tratar o suicídio de forma crua e realista. Dessa forma, é notório, portanto, que o tema, mesmo depois de quase dois séculos, continua sendo tabu e despertando receio ao invés de atrair diálogo, o qual diminuiria a alta taxa entre jovens, pois o silêncio pode matar.
Nesse ínterim, o Brasil é o campeão mundial em Transtorno de Ansiedade e o 5º em depressão. Analogamente, esses são considerados fatores de risco para ocorrência do suicídio, o qual cresceu 10% desde o último levantamento. Uma das causas, a priori, é a pouca - ou nenhuma - atenção dada a saúde mental dos jovens, pois essa faixa etária possui uma maior predisposição a questionamentos existenciais e a sofrer com a pressão da comunidade sobre o futuro, além das explicações biológicas. Do mesmo modo, ainda perdura na sociedade, a teoria do “Efeito Werther” que afirma - após sucessivos autocídios no século XVIII - que o suicídio é contagioso e não pode ser exposto, muitos jornalistas seguem essa conduta. Por esses e outros pontos, a situação precisa de medidas efetivas focadas em diálogo e informação.
Outrossim, o filósofo Mário Cortella afirma que as cidades, antes comunidades, estão transformando-se apenas em conglomerados de pessoas. Essa falta de interações sociais aumentou com a advento da internet, a qual trouxe, para o âmbito cibernético, novas formas de solidão. No entanto, as redes sociais, como o Instagram e o Pinterest, têm desenvolvido ferramentas que detectam, através das buscas, comportamentos depressivos e oferecem dicas para os usuários. Analogamente, no Brasil, há a atuação do CVV - Centro de Valorização da Vida - que previne suicídios através de ligações, ou seja, de conversa. A exemplificar, a ponte sobre o Rio Han, na Coréia do Sul, foi preenchida com frases motivadoras e esperançosas, diminuindo em 85% o índice de autocídios no país.
É perceptível que muitos suicídios podem ser evitados, mas para isso é imprescindível a atuação do Governo Federal com parceria da mídia, disseminadora de comportamentos, em propagandas com atores que defendam a vida, e que contem situações de superação, oferecendo o número do CVV, em prol da diminuição da taxa alarmante. É necessário, também, o papel da escola, em desenvolver crianças e adolescentes saudáveis mentalmente, com oficinas de debates e rodas de conversas sobre esses temas para que sintam-se acolhidos e compreendidos por outrem. Desse modo, subtende-se que o diálogo é o melhor caminho para a continuidade da vida.