Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 09/04/2019
Através do verso “no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho” o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade expressa, de maneira irônica, as inquietações que afligem o ser humano. Fora da Literatura, são como pedras na vida de muitos brasileiros os obstáculos encontrados para prevenir o suicídio, pois, de forma muito tímida e pouco assertiva, o poder público tem aproximado o cidadão ao conhecimento sobre o tema e, dessa forma, o suicídio passa a ser uma questão invisível nos debates políticos e sociais. Logo, torna-se necessário um olhar mais crítico na análise dos casos de suicídio no Brasil, a fim de discutir sobre soluções para o prevenir.
Em primeiro plano, é válido ressaltar a importância de comemorar o setembro amarelo como o mês de conscientização sobre o suicídio, já que é o primeiro passo para alertar a população da existência desse problema. Esta iniciativa, no entanto, não abrange todas as categorias necessárias para se caracterizar como um ato de prevenção, já que em poucas escolas ocorre discussões em setembro entre alunos e profissionais especializados no assunto sobre como combater o suicídio. Prova disso, dados do Mapa da Violência apontam nos últimos 12 anos um crescente aumento de jovens que tiram sua própria vida devido, principalmente, por ser imperceptível e pouco debatido nas escolas. Dessa maneira, é fundamental a alteração desse quadro para garantir a vida e o bem-estar dos jovens.
Outrossim, na mitologia grega, Sísifo após agir de modo a buscar o seu progresso foi condenado por Zeus a levar uma pedra de grande massa ao topo de uma montanha, contudo, enfrentava várias impedimentos, os quais faziam a pedra sempre rolar para o local de início. Não distante da ficção, o suicida anômico - defendido pelo filósofo Durkheim - considera a morte o fim para os sofrimentos, pois, não poucas vezes, encontra dificuldades ao buscar apoio. Um exemplo disso, o Centro de Valorização da Vida, CVV, é uma organização não governamental que conta com a ajuda de voluntários que dialogam com pessoas em anonimato através de número telefônico e via internet, transmitindo esperança para que tal indivíduo não coloque em risco sua vida. Entretanto, a CVV é desconhecida na sociedade, o que contribui para que, como nos versos de Drummond, o caminho seja de difícil percurso Fica evidente, portanto, que para prevenir o suicídio é necessário relatar a sua existência. Para tanto, o Ministério da Educação deve contribuir por meio de gincanas e aulas especializadas nas escolas - desde as séries iniciais e durante todo o ano letivo - debates sobre o suicídio entre professores e alunos, visando aproximá-los ao tema. Por fim, novelas -influenciadora de comportamentos sociais- devem apresentar personagens que lutaram com êxito contra o suicídio com destaque ao apoio da CVV e seu número 141, a fim de transmitir apoio e esperança ao telespectador que objetiva se matar.