Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/04/2019

O sociólogo Durkheim alegava que a consciência coletiva é imprescindível a coesão social. Nessa perspectiva, a falta de empatia com o próximo, inerente as consternações as quais dificultam o combate ao suicídio entre os jovens, interfere nas relações sociais e do bem-estar comum. Isso se deve, sobretudo, a escassez de políticas públicas para o enfrentamento dessa realidade, bem como a má formação crítica dos indivíduos por algumas famílias. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião, com o fito de superar tais mazelas.

De fato, é indubitável que a questão estatal e sua aplicação contribuam para potencializar o problema. Sob esse prisma, de acordo com Aristóteles, o exercício político tem por objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Nesse viés, denota-se que o País convive com uma rede de suicidologia considerada pequena e precária, haja vista não haver, mormente, uma boa formação de profissionais em urgências psiquiátricas, tampouco a implantação de centros terapêuticos os quais realizem discussões e palestras para a prevenção de tal infortúnio. Por certo a tais fatos, o psiquiatra Cristiano Cardoso, assistente da USP, comprova que o sistema de saúde público no Brasil dispõe de poucos serviços e profissionais com a capacitação ínfima. À vista disso, a ocorrência dessas negligências estimula a marginalização social do público jovem, o que dificulta a reversão dessa fatalidade.

Outrossim, conforme o filósofo Zygmunt Bauman, a presença da modernidade líquida se dá a partir da fluidez nas relações do cotidiano. Nesse ínterim, infere-se que a existência massiva de famílias desorganizadas está sensivelmente ligada aos casos de autocídio na juventude. Essa situação abjeta relaciona-se a presença de indivíduos fragilizados emocionalmente em decorrência, geralmente, da falta de diálogos sobre o tema em voga e a instabilidade nos vínculos afetivos. Com efeito, o Mapa da Violência demonstrou o aumento do número de suicídios em quase 10% na população de 15 a 29 anos. Esse impasse corrobora para o surgimento de novos problemas, como a depressão, o que reitera o desequilíbrio coletivo  defendido pela teoria bauniana.

Urge, portanto, que, diante do contexto nefasto do suicídio juvenil, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para tanto, cabe ao Estado, em consonância com o Ministério da Saúde, elaborar projetos sociais, por meio de emendas constitucionais, os quais invistam na implantação de centros psíquicos pelo País, com foco na qualificação de especialistas como psicólogos, no intuito de garantir a saúde emocional dos indivíduos. Ademais, compete à escola, em  conjunto com à família, promover conferências educativas sobre o assunto, por intermédio de mesas redondas, com o escopo de estimular o senso crítico no ambiente intrafamiliar. Destarte, a coesão proposta por Durkheim será real.