Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 27/05/2019
O suicídio, na contemporaneidade, é considerado um dos maiores problemas que afeta a sociedade, em especial a classe jovem. No Brasil, a realidade não é diferente: conforme o Ministério da Saúde, 1 caso de suicídio é relatado a cada 46 minutos. Ainda que existam políticas públicas voltadas a combater tal adversidade, são diversos os fatores que corroboram para essa prática, por vezes silenciosa, o quais levam muitos jovens a não procurarem por auxílio.
Em primeiro lugar, ao analisar o caso de Dielly Santos, vítima de suicídio em 2018, observa-se que os principais motivos para o ato foram o bullying, cyberbullying e a gordofobia, que levaram-na a desenvolver depressão. No Brasil, esses são demasiadamente praticados contra os que não se encaixam nos padrões propostos socialmente, os quais podem envolver imagem, comportamento e status social. Nesse sentido, a ausência de comunicação sobre tais atos errôneos nos âmbitos educacionais auxilia na perpetuação desses e põe as vítimas à deriva. Outros tipos de preconceitos são causas para a depressão e o autocídio, a exemplo da homofobia e o racismo. O suicídio fatalista, conforme o sociólogo Durkheim, insere-se nesse contexto, pelo fato de que é caracterizado quando o indivíduo sofre demasiadas pressões por parte das instituições sociais.
Ademais, as sociedades contemporâneas presenciam o avanço tecnológico. Também segundo o sociólogo, tal avanço e as novas relações de trabalho constroem sociedades orgânicas. Um efeito dessa é o isolamento, pela redução das relações de coesão entre as pessoas, o qual provoca o suicídio egoísta: quando o indivíduo encontra-se abandonado pelas instituições sociais. Além disso, a depressão é vista como silenciosa, os sintomas são, por muitas vezes, confundidos com melancolia ou preguiça. Os que possuem-na evitam falar sobre, por medo de serem incompreendidos, além do descaso por parte de muitos profissionais da área da saúde no tocante ao tratamento de tal patologia, falta de apoio familiar aos jovens depressivos e a ausência de diálogo e empatia. Desse modo, a sua subestimação e romantização tornam-se recorrentes e, assim, os casos de suicídio aumentam.
Portanto, em virtude dos aspectos analisados, medidas são necessárias para que se resolvam os impasses do cenário vigente. Cabe ao Poder Executivo junto aos Ministérios da Saúde e Educação aperfeiçoarem as medidas de combate ao suicídio, por meio da melhoria da infraestrutura dos Centros de Atenção Psicossocial; debates e palestras em escolas e universidades ministrados por psicólogos, médicos e professores sobre o dever de procurar ajuda profissional em casos de depressão e ansiedade, além do combate ao preconceito e bullying e a formação educacional de profissionais da saúde capacitados para tratarem problemas de ordem psicológica.