Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 30/05/2019
Werther conheceu Charlotte, que já era prometida a outro homem, e por ela se apaixonou desmedidamente; o sofrimento pelo amor impossível chegou a tal intensidade que Werther acabou por colocar fim à sua própria vida. Embora a obra de Goethe seja ficção, à época do lançamento do livro, houve um considerável aumento na taxa de mortalidade por suicídio entre os jovens e hoje não é diferente, a cada dia vemos mais e mais jovens recorrendo ao mesmo destino.
Em primeiro lugar, é importante refletir sobre o momento atual, em que tudo está conectado e as redes sociais estão infiltradas em qualquer meio. Facebook e Instagram, por exemplo, são coleções de vidas perfeitas: viagens, relacionamentos de contos de fadas, festas e tudo o mais que possa provocar desejos e, até inveja, na maioria das pessoas, que não vêem toda essa felicidade em suas próprias vidas. Todavia, mesmo que não reflitam 100 % da realidade, acabam por provocar frustração em muitas pessoas, sobretudo nas mais frágeis, como é o caso de adolescentes, que ainda não completaram seu amadurecimento
. Além disso, esta é uma fase da vida em que há mais suscetibilidade ao bullying, comportamento que pode causar danos irreparáveis às vítimas. Como consequência, assistimos a um crescente número de meninos e meninas cometendo atos de violência contra si próprios. De acordo com pesquisa feita pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade, a taxa de mortalidade por suicídio a cada 100 mil habitantes é de 8,5 entre os indíviduos de 5 a 29 anos, sendo a quarta maior causa de morte dos 15 aos 29 anos. É fato portanto, que temos um problema de saúde pública que precisa de providências urgentes.O Ministério da Saúde deve atuar junto às escolas e à mídia, no intuito de promover campanhas de conscientização da prevenção ao suícidio através de palestras, debates e materiais que mostram os primeiros sinais do comportamento suicida, além de orientar onde buscar ajuda, como os CAPs (Centro de Atenção Psicossocial) e CVVs (Centro de Valorização da Vida). Ademais, o Ministério da Saúde deve também atuar junto aos Governos Estaduais e às Prefeituras para expandir a rede dos CAPs, proporcionando maior atendimento às demandas que surgirem. Dessa forma, atuando na prevenção, poderemos ver os alarmantes números começarem a cair e Werther ficará apenas no campo da ficção.