Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 06/06/2019
“Os sofrimentos do jovem Werther”, escrito no século XVIII, é um clássico da literatura mundial, cuja história retrata a vida de um adolescente que, após um fracasso amoroso, desencadeou uma série de sentimentos de tristeza, os quais estimularam o indivíduo a retirar a própria vida. Tal obra foi tão impactante, no cenário da época, que impulsionou uma onda de suicídios, a qual foi denominada “Efeito Werther”. De maneira análoga, quando se observa o aumento do autocídio juvenil na sociedade brasileira atual, percebe-se que esse ideal literário está próximo da realidade nacional. Nesse sentido, é fundamental entender as causas do problema a fim de, prevenir a situação.
Em primeira instância, é preciso analisar como a padronização, imposta pela sociedade moderna, ocasiona entraves ao processo de prevenção ao suicídio entre os jovens do país. De fato, atualmente, criou-se uma ditadura da felicidade, na qual sentimentos humanos elementares, como a angústia e a tristeza, são repelidos, sendo, inclusive, passíveis de medicalização. Desse modo, a mentalidade simplista de tratar as emoções com medicamentos reflete o desinteresse da comunidade médica em discutir e tratar as causas do autocídio na menor idade, fato que contribui para o silenciamento do assunto. Sob essa ótica, o sociólogo Émile Durkheim expõe que o suicídio é resultado do meio que circunda o ser, sendo potencializado pelo tabu e pelos estereótipos associados à problemática.
Ademais, a postura dos principais agentes de conscientização ocasiona entraves ao processo de prevenção entre os jovens. De fato, são ínfimos os programas televisivos que retratam a autoviolação, uma vez que, ainda, a mídia possui receio do “Efeito Werther”, isto é, medo de que, ao falar do assunto, possa desencadear reações de autoviolência por comportamentos miméticos. Outrossim, as instituições educacionais omitem-se do papel de formação dos jovens, na medida em que, muitas vezes, não têm profissionais para oferecer suporte psicológico aos menores e para debater acerca de doenças psicossociais, como a depressão e a ansiedade. Por conseguinte, o suicídio é abordado com displicência na comunidade, fato o qual corrobora para a banalização e para o descaso da situação, dificultando inúmeros adolescentes a buscarem assistência profissional.
Portanto, torna-se evidente a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever da mídia promover a desmistificação do autocídio, que retratem, de maneira fidedigna, a seriedade das doenças psicossocial, com o intuito de reduzir os estereótipos e o silêncio em relação ao assunto. Da mesma maneira, é papel das instituições educacionais, em conjunto com o Ministério da Saúde, minimizar o suicídio, por meio da promoção de campanhas de prevenção direcionadas ao público juvenil, além de contratar profissionais especializados.