Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 08/06/2019
Apesar de ter sido escrita no século XXI, a história do jovem Wether, redigida por Goethe, atenta para um fenômeno que, infelizmente, tornou-se recorrente no Brasil hodierno: o suicídio. Na realidade brasileira, faz-se o mínimo para a prevenção desse fenômeno entre os jovens, muito embora ele seja a sua segunda maior causa de morte, segundo dados da OMS. Isso se deve, sobretudo, à adoção do suicídio como um tabu social e às transformações sociais da pós-modernidade.
Em primeiro plano, a construção do suicídio como um tabu social impede que ele seja um problema a ser superado. Consoante dados do Mapa da Violência, a taxa de suicídio entre os jovens aumentou sessenta por centro desde a década de 1980. Contudo, no Brasil, o debate acerca desse assunto é raro, raso e pouco eficiente, posto que é superestimado por muitas pessoas, as quais o vê seja com vergonha, seja com irrelevância. Nesse contexto, o jovem possui poucas - ou nenhuma - instituições basilares, como a família e a escola, que o oriente acerca dos impulsionadores do suicídio e das formas de prevenção e ação.
Outrossim, as mudanças sociais contemporâneas têm papel fundamental na promoção de fomentadores do autocídio. Na obra “O Suicídio”, o sociólogo Émile Durkheim analisou que quanto maior o grau de compartilhamento de crenças, valores, afetos e gestos em uma comunidade,mais solidária ela será. Com isso, quanto mais solidária, menores são as chances de acontecer um suicídio, caso uma adversidade os atinga. Entretanto, as sociedades hodiernas são marcadas pelo crescente individualismo, o qual, segundo Bauman, impulsiona as “relações líquidas” (voláteis, superficiais, fáceis de se romper). Dessa forma, percebe-se que a atual estrutura social, na qual os jovens nascem e crescem, retrata a desestruturação do conceito de comunidade e caminha em direção ao isolamento, fatos que contribuem para o fenômeno do suicídio.
Portanto, nota-se que a ociosidade social em discutir o suicídio, atrelada às transformações sociais, são impasses para a prevenção dessa morte. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde promover a conscientização da sociedade acerca do suicídio, mediante propagandas televisivas, as quais devem conter o que é o autocídio, suas causas, formas de prevenção e de ação. Essa ação tem o fito de iniciar o debate entre os brasileiros, para que o autocídio deixe de ser irrelevante para o povo. Paralelamente, o Ministério da Educação deve adicionar ao currículo escolar a matéria “Inteligência Emocional e Saúde Mental”, por intermédio dos Conselhos Federais de Medicina e de Psicologia, nas séries dos Ensinos Fundamental e Médio, a fim de que os jovens cresçam amparados e conscientes. Quiçá, tal hiato reverter-se-á, e o Brasil distanciar-se-á de sofrimentos como os do jovem Wether.