Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 15/06/2019

Segundo Émile Durkheim, o suicídio alcança números alarmantes, quando, na sociedade, um estado de anomia se instala: um conjunto de deficiências nas leis e na organização social. No Brasil, a quantidade de jovens que tiram a própria vida vem crescendo de forma constante, o que demonstra, consoante à ótica Durkheimiana, um estado de anomalia. Nesse sentido, a desatenção do Estado com esse problema e a falta de uma acompanhamento mais assíduo na vida dos jovens, se mostram como os principais fatores que sustentam esse estado anômico, tendo, o Brasil, o dever de mitigá-lo.

Nesse cenário, é notório a negligência Estatal com a questão do suicídio na juventude. Em defesa disso, percebe-se, o pouco desdobramento do Poder Público em fomentar recursos, como tecnológicos bem como assistenciais, para combater o infortúnio. Como exemplo, vale ressaltar a criação de aplicativos que sejam voltados especificamente para alertar supostos casos de suicídio, o que poderia ser feito através de uma parceria do Estado com desenvolvedores desses artifícios e clínicas psicológicas dispostas a ajudar quando forem acionadas. Ademais, não há a disponibilização de acompanhamento psicológico em escolas públicas, o que ajudaria a minorar os casos de suicídio.

Além disso, é indubitável que a ausência de um diálogo e uma orientação familiar com os jovens corrobora à perpetuidade do problema. Isso se dá, por que é necessário que o grupo familiar tenha uma relação participativa na vida dos filhos, os quais podem estar enfrentando problemas emocionais, e, se não possuem um apoio calcado nas bases familiares, tenderão a buscar meios como o suicídio para fugir desses obstáculos. Como forma de ratificar tal linha de pensamento, o filósofo John Locke afirmava, em sua “Teoria da Tábula Rasa”, alta influência que um indivíduo sofre quando inserido em um meio qualquer, podendo sê-la construtiva ou destrutiva.

Destarte, caminhos devem ser tomados para se combater o suicídio entre os jovens brasileiros. Logo, o Estado, vinculado à clínicas de saúde empresas de programação, precisa incentivar o desenvolvimento de aplicativos voltados para o alerta de suicídios, por meio de incentivos financeiros, a fim de que essas clínicas, quando alertadas por esses mecanismos, possam entrar em contato com os responsáveis do suposto suicida oferecendo algum apoio psicológico. Em adição, cabe ao Ministério da Educação, colaborar com a redução desses suicídios, fornecendo psicólogos às escolas públicas, para que haja um acompanhamento emocional com adolescentes que precisam recebê-lo. Por fim, compete ao corpo familiar, intensificar o diálogo e a orientação com os adolescentes, sendo mais participativo na vida dos filhos, com o fito de auxilia-los a transpor os problemas que os assolam. Decerto, assim, poder-se-á tirar o Brasil do estado anômico proposto por Durkheim e torná-lo mais harmônico.