Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 24/06/2019

A obra literária “Os sofrimentos do jovem Werther”, do escritor alemão Goethe, retrata a vida de um adolescente que encontra na suspensão da vida uma solução para suas dores e frustrações amorosas. Essa composição foi tão impactante, ainda, no século XVIII, que impulsionou uma onda de suicídios, a qual foi denominada “Efeito Werther”. De maneira análoga, quando se observa o aumento do autocídio juvenil na sociedade brasileira atual, percebe-se que esse enredo não é diferente da realidade nacional. Nesse sentido, é fundamental debater os impactos e consequências desse quadro, assim como maneiras de o interromper.

Em primeira análise, faz-se necessário entender como a padronização imposta pela sociedade pós-moderna ocasiona entraves à prevenção do suicídio entre os jovens brasileiros. É fato que, com o advento das redes sociais e aumento da exposição da rotina dos seus usuários, criou-se uma ditadura da felicidade, na qual sentimentos como angústia e tristeza são repelidos, sendo, inclusive, passíveis de medicação. Além disso, a visão compartilhada de que a auto violência é motivo de vergonha ou condenação comprova a ausência de laços e redes capazes de proporcionar o acolhimento ao sujeito e a sua aflição.

Outrossim, é evidente que a postura dos agentes de conscientização também é questionável. De fato, são ínfimos os programas televisivos que retratam a auto violação, uma vez que, a mídia ainda possui receio do “Efeito “werther”, isto é, que uma abordagem do assunto possa propagar reações negativas por comportamentos miméticos. Ademais, cabe salientar que as instituições educacionais se omitem do papel de formação juvenil, na medida em que, muitas vezes, não apresentam profissionais que ofereçam suporte psicológico aos menores e debatam acerca de doenças psicossociais, como depressão e ansiedade. Por conseguinte, o tema é abordado com displicência na comunidade, fato que corrobora a banalização e o descaso para com a situação.

Considerando-se os aspectos mencionados, torna-se claro, portanto, a necessidade de medidas para alterar o cenário vigente. Para isso, é dever da mídia promover a desmistificação do autocídio, por meio de novelas, documentários e reportagens que retratem de maneira fidedigna, a seriedade do problema a fim de reduzir os estereótipos e o silêncio em relação ao assunto. Com isso, é papel das instituições educacionais, em conjunto com o Ministério da Saúde, minimizar o suicídio na menor idade através de campanhas de prevenção direcionadas ao público jovem, com o objetivo de ofertar o tratamento adequado e garantir a promoção das integridades física e psicológica aos mesmos. Talvez, assim, possa-se evitar que mais cidadãos tenham o mesmo fim que o da personagem criada por Goethe.