Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 16/07/2019

De acordo com o livro “O suicídio”, do sociólogo Émile Durkheim, a prática suicida advêm da opressão que o indivíduo sofre pela sociedade, seja pelos seus padrões impostos inatingíveis, ou pelas normas impostas nas quais não condiz com os objetivos desse indivíduo, resultando na sua insatisfação e frustração. Desse modo, esse imperialismo social de padrões e ações, combinadas a falta de preparo dos pais em reconhecer e defrontar acerca dessa problemática, são os principais fatores do aumento no número de casos de suicídio entre os jovens brasileiros, provando ser um problema  não só de saúde pública, mas também de âmbito social.

A princípio, o uso massivo de canais midiáticos responsáveis não só pela venda de produtos, mas de um estilo de vida inatingível, são um dos principais fatores que despertam o sentimento de frustração, e baixa autoestima entre os jovens. Há também, situações em que a cobrança excessiva da sociedade e da família, nas quais depositam suas expectativas não condizentes com as aspirações desses jovens, promove um sentimento de desapontamento destes por não se encaixarem nessas  perspectivas impostas. Desse forma, esses sentimentos são a “porta de entrada” para doenças psicológicas, dentre elas a depressão, que podem acarretar no suicídio.

Ademais, a falta de preparo ou muitas vezes o preconceito da família em reconhecer e saber lidar com os sintomas dessas doenças, ocasionado pelo desconhecimento sobre o assunto pouco abordado de forma eficiente pela mídia e pelo poder público, resulta na carência adequada de tratamento e consequentemente gera danos graves e muitas vezes irreversíveis. Em uma segunda análise, o preconceito social envolto da doença, diretamente ligado a ignorância em massa sobre essa temática, é um fator decisivo pois descredibiliza os sintomas e a dificuldade de superação de quem sofre dessa doença cruel e silenciosa.

Em virtude dos fatos mencionados, está claro que o suicídio tornou-se um problema de saúde pública. Portanto, é dever do Ministério da Saúde criar sedes com grupos de apoios compostos por profissionais no assunto, oferecendo gratuitamente a educação necessária para identificar tendências depressivas, objetivando amparar e informar os pais e jovens acerca dessa problemática. Além disso, cabe a mídia usufruir do poder persuasivo que possui na sociedade, através do desenvolvimento de campanhas para prevenção ao suicídio e valorização da vida, a fim de despertar no âmbito social uma maior empatia sobre as pessoas que enfrentam essas doenças, pois apenas com a informação é possível diminuir o preconceito e acima de tudo as taxas de suicídio entre os jovens brasileiros.