Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/07/2019

Na obra cinematográfica “Orações para Bobby", o protagonista sofre preconceito por ser homossexual dentro do próprio núcleo familiar, o que culmina, posteriormente, em seu suicídio. Como a vida imita a arte, casos de suicídio por preconceito, solidão ou negligência têm se tornado praxe na pós-modernidade. Entretanto, as raízes dessa problemática provém de um crença antiga de que a felicidade deve ser constante, alavancando, por conseguinte, os casos de autocídio nos mais diferentes círculos sociais.

A princípio, cabe ressaltar como o panorama supracitado provém de uma política hedonista que perpetua desde a Antiguidade Clássica até a contemporaneidade. Segundo Epicuro, criador da filosofia hedonista, a felicidade e o prazer são os suprassumos da vida humana, devendo ser buscados a todo momento. No entanto, tal característica desqualifica as outras emoções e sentimentos que são intrínsecos ao ser humano – como a tristeza ou a raiva, por exemplo – criando, nesse padrão, um combate à própria natureza humana, reprimindo sentimentos que deveriam, na prática, ser sentidos e que, por outro lado, por essa repressão, acabam sendo a principal causa de suicídio em muitas localidades.

Além disso, reconhece-se como o dilema da felicidade perpétua corrobora para que se mitiguem políticas eficientes no combate ao suicídio. Acerca disso, é ponto pacífico rememorar o discurso do sociólogo Émilie Durkheim, que reverbera que o suicídio é, em suma, um fato social, ou seja, acontece por coerção coletiva a um padrão social previamente estabelecido. Logo, os índices de suicídio poderiam diminuir, ou até mesmo cessar, se a sociedade buscasse de maneira altruísta auxiliar nos sofrimentos alheios - não obrigando os indivíduos a serem felizes o tempo todo como no padrão hedonista - mas buscando entender seus dilemas, já que 90% dos casos de autocídio no mundo poderiam ser evitados com uma simples conversa, dados da Organização Mundial da Saúde.

Destarte, medidas precisam ser tomadas para dirimir esse impasse. Para tanto, faz-se mister que o Ministério da Saúde crie uma campanha digital, por meio de vídeos em mídias televisivas e em redes sociais, que vise a conscientização coletiva acerca da importância de se conversar com pessoas à sua volta sobre seus sofrimentos, buscando interação e alívio de suas pressões psicológicas de maneira comunitária. Dessa maneira, é cabível de concepção uma sociedade onde o futuro dos indivíduos não sejam como o de Bobby, mas sim onde o sofrimento seja compartilhado, sentido e aliviado.