Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 31/07/2019

Werther e a sociedade hedonista

No livro “O sofrimento do jovem Werther”, é narrado o suicídio de um adolescente após uma desilusão amorosa que causou-lhe muito sofrimento guardado para si próprio. Fora das páginas, é fato que os motivos para o suicídio também são, em suma, sentimentos reprimidos. Dessa maneira, a obsessão pela felicidade perpétua e a consolidação do ideário hedonista até a pós-modernidade acarretam negligência da população no tocante ao autocídio e, consequentemente, aumento nos seus índices.

A princípio, reconhece-se como a corrente filosófica do hedonismo está enraizada na sociedade e corrobora para reprimir os sentimentos que não são considerados corretos por ela. Segundo seu criador, Epicuro, as diretrizes para uma vida realmente plena eram o prazer e a felicidade - portanto, sentimentos alheios à essa concepção não deveriam ser sentidos. Desse modo, muitas são as pessoas que reprimem dores e traumas para obedecer a essa lógica social, desqualificado sentimentos como a raiva ou a tristeza, transformando-se em jazidas de angústia que muitas vezes encontram saída apenas com o suicídio.

Além disso, cabe ressaltar como a omissão social é um dos principais pontos para a persistência de suicídios, principalmente entre os mais jovens. Acerca disso, é ponto pacífico rememorar o discurso do sociólogo Émilie Durkheim que, em sua obra “O suicídio”, afirma que o suicídio é um fato social, ou seja, é feito a partir de coerção e negligência da sociedade. Logo, dados da Organização Mundial da Saúde, que reconhecem que 90% dos autocídios poderiam ser evitados com uma simples conversa, são inexoráveis, já que - se o próximo auxiliasse o indivíduo com seu sofrimento ao invés de julgá-lo – os índices de suicídio cairiam de forma abrupta.

Destarte, medidas precisam ser tomadas para dirimir esse impasse. Para tanto, faz-se mister que o Ministério da Saúde crie uma campanha digital, por meio de vídeos em mídias televisivas e em redes sociais, que vise a conscientização coletiva acerca da importância de se conversar com pessoas a sua volta sobre seus sofrimentos, buscando interação e alívio de suas pressões psicológicas de maneira comunitária. Dessa maneira, é cabível de concepção uma sociedade onde o futuro dos indivíduos não sejam como o de Werther, mas sim onde o sofrimento seja compartilhado, sentido e aliviado.