Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/08/2019

Durante o regime nazista, em meados do século passado, o romancista Stéfan Zweig mudou-se para o Brasil. Impressionado com a multiculturalidade e o potencial do novo lar, o dramaturgo escreveu uma obra cuja título é polêmico: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se nota o aumento dos índices relacionados ao suicídio entre os jovens, adversidade que traz consequências à progressão social, percebe-se que a profecia não saiu do papel. Nesse sentido, é urgente que o Estado — aliado à população — encontre soluções eficazes para tal quadro.

Deve-se pontuar, de início, que as engrenagens da sociedade pós-moderna possibilitaram a ascensão de características peculiares, como a competitividade, o culto ao lucro e, sobretudo, a extrema individualidade. Tais peculiaridades contribuem à prática do suicídio entre os jovens: segundo levantamento da científica Revista Galileu, o isolamento social entre adolescentes, causados, em sua maioria, por bullying, é um dos gatilhos que podem resultar na depressão e, consequentemente, no suicídio. Dessa maneira, é necessário destacar a importância de uma educação pedagógica e familiar

que possua habilidades para notar atitudes destrutivas entre os jovens.

Nessa perspectiva, vale ressaltar que a discussão acerca do debate ora proposto ainda é tratada por alguns setores conservadores de maneira trivial e debochada. Por conseguinte, os jovens que sofrem com problemas psicológicos ou psiquiátricos tendem a internalizar sentimentos negativos aflorados pelas enfermidades mentais. Com isso, a busca por ajuda — familiar ou médica — torna-se laboriosa e complexa.

Posto isso, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. O Ministério da Educação, aliado ao Ministério da Saúde, deve elaborar materiais didáticos, como pequenas histórias em quadrinhos, para alunos do ensino fundamental e médio, com um conteúdo que aborce acerca do suicídio, evidenciando a importância do respeito e o repúdio ao bullying, conscientizando, desde cedo, os jovens. Em paralelo, é interessante que, com apoio das mídias publicitárias, o Governo Federal promova campanhas — por meio de banners ilustrativos — nas grandes cidades, alertando aos pais a necessidade do diálogo acerca do suicídio.