Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 04/08/2019
Na obra literária alemã “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Johann Goethe, o protagonista Werther encontra no suicídio uma forma de livrar-se das dores de um amor não-correspondido. A temática da infelicidade fez com que parte do jovem público-leitor, no século XVIII, se sentisse representado pelos anseios do personagem e, inclusive, passassem a ver a morte como uma forma de libertação. Por conseguinte, percebe-se que tal problema de saúde pública vem-se fazendo presente na sociedade até hoje e, no Brasil, a taxa de suicídio entre os jovens eleva-se crescentemente, evidenciando a urgência de alteração deste cenário preocupante.
A priori, o ato de ceifar a própria vida é, por vezes, uma consequência de um quadro depressivo do indivíduo. Sabe-se que a depressão é uma patologia que atinge os mediadores bioquímicos envolvidos na condução dos estímulos através dos neurônios, atuando para que o ser se sinta desestimulado, triste e com baixa autoestima. Entre os fatores sociais que induzem os adolescentes a essa doença, fazendo com que se sintam pressionados ou rejeitados, estão os casos de bullying nas escolas e as agressões verbais e físicas àqueles que se reconhecem como gays. Em virtude disso, quando essas pessoas se sentem incompreendidas e não têm o apoio de pessoas queridas, o suicídio lhes convém como uma escapatória às opressões que as rodeiam.
Ademais, outro fator alarmante é a ausência de intervenção familiar. Infelizmente, há pais que não se atentam às ações exercidas pelo próprio filho e são comuns os casos de jovens que se queixam com seus responsáveis sobre insatisfações e lamentos de seu cotidiano, mas o assunto é tido como “frescura” pela família. Tal reação gera a sensação de desamparo e, por conseguinte, pessoas de má índole encontram na internet uma forma de atrair esse público fragilizado ao ato suicida. Em protótipo, foi a criação do jogo online “Baleia Azul”, em que um “curador” anônimo estabelece cinquenta desafios – dentre eles a automutilação – ao adolescente, sendo a última etapa, a retirada da própria vida. Vê-se, assim, a necessidade de um maior acompanhamento parental e preventivo ao suicídio.
Depreende-se, portanto, que o suicídio se tornou um problema de saúde pública no Brasil. Para alterar esse cenário, urge que a OMS, junto às escolas, devem promover o treinamento de profissionais da educação para identificar tendências depressivas nos jovens e utilizarem as obras literárias que retratem o suicídio, como foi o caso da obra de Goethe, promovendo a reflexão e o alerta frente a esse emblema. Além disso, os responsáveis devem ser mais atentos ao comportamento dos filhos em casa e na internet, promovendo o diálogo frequente e o zelo. Dessa forma, as taxas de suicídio amenizarão e construiremos uma sociedade mais empática.