Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 12/08/2019

É de James Baldwin, escritor americano negro e homossexual, o aforismo: “Nem tudo o que enfrentamos pode ser mudado, mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado”. Nesse contexto, nota-se, no Brasil, um aumento inegável no número de suicídios entre os jovens e, desse modo, faz-se necessário buscar caminhos para combater este fenômeno social. É imperativo, portanto, tornar a discussão sobre suicídio e as suas causas mais comuns, um tema frequente nas escolas e na mídia, com vistas a unir a sociedade em prol do combate desse mal.

Convém ressaltar, mormente, que as escolas possuem um papel importante nessa questão, uma vez que, segundo especialistas em saúde mental, o bullying escolar é um fator de risco para o suicídio. Prova disso, é o caso da protagonista Hannah Backer, no seriado “Os 13 porquês”. Na trama, a adolescente é vítima de bullying e, devido a inabilidade socioemocional dos colegas, professores e corpo técnico do colégio, acaba chegando ao extremo do suicídio. Nesse sentido, a realidade brasileira não é diferente da ficção, já que não é ofertado, aos alunos e aos funcionários, debates e palestras acerca do assunto e, tampouco auxílio psicológico para os mesmos. Dessa forma, é preciso preparar as escolas para combater não somente os atos suicidas, mas também o bullying.

Outrossim, deve-se salientar que o autocídio é um reflexo da falta de empatia e do exercício da alteridade na sociedade pós-moderna. Nessa perspectiva, consoante ao Grupo Gay da Bahia, o suicídio entre o público LGBT aumentou quase quatro vezes nos dois últimos anos. Constata-se,assim, que a comunidade sofre muitos preconceitos e discursos de ódio que acarretam, muitas vezes, em depressão e suicídio. É flagrante que esse público não pode ser ignorado e, portanto, é imprescindível o enfrentamento dessa questão nas escolas e nas grandes mídias.

Destarte, fica claro que o suicídio entre os jovens é um caso de saúde pública no país, e deve ser combatido. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, auxiliar esses jovens através da inserção de profissionais da saúde especializados em distúrbios psicológicos nas escolas, possibilitando encontros semanais individuais e em grupos, para discutir sobre saúde mental e sobre a famigerada empatia. Espera-se, com isso, combater o bullying escolar e promover o respeito à diversidade, para que não haja mais casos como o de Hanna. Além disso, é importante que as emissoras de televisão coloquem em suas programações e suas novelas, a discussão acerca do suicídio e como identificar jovens que sofrem com a depressão. Assim, a sociedade se tornará mais capacitada para enfrentar o problema do suicídio no Brasil.