Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 15/08/2019

A obra ‘‘O Suicídio’’, do sociólogo Émile Durkheim, inovou ao propor, no século XIX, uma abordagem social do ato suicida, vendo-o não apenas como uma atitude individual, mas, sobretudo, como resultado da baixa coesão social, tendo seus maiores índices, portanto,  em uma sociedade pouco integrada. Nesse sentido, no século XXI, o suicídio juvenil, que afeta uma das parcelas mais vulneráveis da população, emerge como uma problemática mundial, sendo consequência de uma conjuntura em que a sociedade, tal como proposto por Durkheim, está em atrito. Assim, o Brasil, que está inserido nesse contexto, enfrenta os impactos sociais e no âmbito da saúde pública decorrentes do autoextermínio juvenil.

De acordo com o levantamento feito pelo Mapa da Violência em 2017, entre 2002 e 2014, a taxa de suicídio da população de 15 a 29 anos aumentou quase 10%. De certo, considerando a lógica capitalista na qual o Brasil insere-se, que prega o ideal inatingível de produtividade e sucesso como qualificador do valor humano, torna-se claro os efeitos negativos de tais concepções na saúde mental dos jovens, na medida em que, ao não atingir as demandas utópicas, sentem-se fracassados e tornam-se propensos a ideias suicidas. Dessa forma, contrapondo o conceito de modernidade líquida proposto por Zygmunt Bauman, no qual a integração social é trivial, torna-se imprescindível que a ideia equivocada de uma vida ideal seja ressignificada, para que a sociedade veja a importância de zelar pela saúde mental da população juvenil e haja o aumento da coesão interpessoal.

Ademais, pontua-se também a necessidade de garantir o acesso à profissionais de saúde mental para os jovens. Tal ação é necessária pois, na medida em que a contemporaneidade prega a individualidade e a meritocracia, o bem estar de tal faixa etária é desconsiderada, deixando-os à mercê do ato suicida. Por conseguinte, é imprescindível a manutenção do Sistema Único de Saúde, no qual, através da administração estatal, é oferecido tratamento psicológico gratuito aos indivíduos vulneráveis, a fim de auxilia-los a adquirir autonomia e resiliência.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar a problemáticas do suicídio juvenil no Brasil. De certo, o Ministério da Saúde, tendo em vista o aumento da taxa de mortalidade de adolescentes em atos suicidas deve, por meio de concessões de verbas à escolas públicas, incentivar intervenções que visem abordar, por meio de palestras que contem com profissionais da área, e como público alvo os indivíduos na faixa etária de risco, os docentes e as famílias, a temática do suicídio de maneira objetiva e elucidativa, com a finalidade de conscientizar sobre o tema e prevenir tal ato lesivo, a fim de garantir a manutenção da saúde mental dos jovens.