Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 31/08/2019
No ultrarromantismo, segunda geração romântica, o pessimismo tomava conta dos autores, que acreditavam que a morte era a única solução para fugir da realidade do século XIX. Indiferente do que acontece no século XXI, o pessimismo ainda marca presença na sociedade brasileira, cujo índice de suicídios entre jovens aumentou 40% na última década, de acordo com o Mapa da Violência 2014. Nesse contexto, cabe analisar essa problemática causada pela abordagem equivocada da mídia sobre o suicídio e pela falta de informações relacionadas à depressão.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que, por ser a principal ferramenta para a dispersão de informações, a mídia é fundamental na vida das pessoas. Entretanto, a maneira como são transmitidas determinadas notícias, como os casos de suicídio, podem influenciar as decisões do ser humano, principalmente dos adolescentes que sofrem de transtornos mentais. É o chamado “Efeito Werther”, expressão do sociólogo David Phillips, que refere-se ao pico de emulações de suicídios após algum caso de suicídio amplamente divulgado de maneira sensacionalista, como ocorreu após a morte de Marilyn Monroe, em 1962.
Outro ponto importante a se avaliar é a falta de informação e esclarecimento sobre a depressão, doença silenciosa considerada o “mal do século” pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A despeito da enorme taxa, acima da média global, de pessoas acometidas pela doença: aproximadamente 6% da população brasileira, segundo dados da OMS, falar sobre a depressão ainda é considerado um tabu. Devido à isso, muitos pais deixam passar desapercebidas algumas mudanças de comportamento dos seus filhos, como o isolamento social, tristeza profunda, significativo aumento ou perda de peso, entre outros, os quais podem sinalizar um pedido de ajuda. O diagnóstico da depressão é um fator que possibilita a evitação de um ato suicida, visto que, de acordo com a literatura, depressão e suicídio estão associadas entre si.
Depreende-se, portanto, que o suicídio precisa ser prevenido no Brasil. Para isso, o Governo Federal deve intervir, por meio do Poder Legislativo, criando uma lei que proíba o sensacionalismo da mídia acerca de notícias sobre suicídio, que contará com penalização pecuniária, para, assim, acabar com o “Efeito Werther”. Também deve haver, por parte do Ministério da Educação, uma parceria entre escolas e psicólogos para ministrar discussões com os pais sobre a importância do diagnóstico de mudanças de comportamento dos seus filhos, evitando a depressão e, por conseguinte, o suicídio.