Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 15/08/2019
Razões para viver
Em “13 Reasons Why”, série produzida pela netflix, a protagonista sofre com boatos que os colegas de sua escola contam sobre ela e para sair dessa situação comete suicídio. Nessa perspectiva, é preciso compreender que o cenário vai além das telas. No Brasil, a relutância da sociedade em abordar o tema e de procurar ajuda psicológica têm acarretado consequências irreversíveis que precisam ser debatidas e mitigadas.
Primeiramente, pontua-se que o suicídio é um tabu, embora perca apenas para o número de mortes em acidentes de trânsito. Segundo o sociólogo Durkheim, o suicídio pode ser caracterizado como egoísta porque o jovem não se sente como integrante da sociedade e pensa que essa é a única saída. Cabe ressaltar que, com a era das “relações líquidas” a banalização dos sentimentos nas redes sociais, a pressão em relação a estudos e carreira e a cultura do imediatismo contribuem para a piora do indivíduo, pois ele julga que sua situação não é tão importante. Assim, a juventude acaba perdendo a capacidade de se relacionar de forma saudável e eficaz, enfraquecendo vínculos, se tornando mais individualista e triste.
É notório observar, ainda, que a depressão e a ansiedade são distúrbios psicológicos que contribuem significativamente para a inicidência de suicídios. Visto que, alteram a realidade e prejudicam a resiliência, que é a capacidade de reestabelecer o equilíbrio mental após passar por situações de estresse. Ademais, é impotante destacar que falar sobre suicídio não incentiva. Isso pode ser comprovado através de dados do Centro de Valorização da Vida, os quais evidenciam que a cada 33 segundos uma pessoa recorre a eles e conseguem convencê-la de que nem tudo está perdido.
Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para previnir o suicídio entre os jovens brasileiros. Por isso, é essencial que o Ministério da Saúde invista em qualificação profissional e suporte para o fortalecimento do SUS, como nas Unidades Básicas de Saúde da Família, onde os ACS estão em contato direto com a comunidade e podem identificar com mais facilidade se há algo errado e oferecer ajuda. Ademais, é preciso parcerias público-privadas, objetivando reeducar a população através de propagandas de televisão, rádio e redes sociais sobre o modo de compreender os transtornos e assim quebrar preconceitos para que seja possível estimular o debate sobre o suicídio deixando de ser um tabu. Dessa maneira, os jovens não precisaram procurar razões para se matar, porque elas nunca irão superar as razões para viver.