Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 18/08/2019
Na obra literária alemã “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Johann Goethe, o protagonista Werther encontra no suicídio uma forma de livrar-se das dores de um amor não correspondido. A temática da infelicidade fez com que parte do jovem público-leitor, no século XVIII se sentisse representado pelos anseios do personagem e, inclusive, passasse a ver a morte como uma forma de libertação. Concomitantemente, o suicídio adquiriu um caráter epidêmico na contemporaneidade, sobretudo, no Brasil, que já o trata como questão de saúde pública.
Mormente, segundo dados da Associação Psiquiátrica de Brasília, entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes, sendo mais de 30% em jovens. Ademais, estima-se que, até 2020, ocorrerá um incremento de até 50% no número anual de mortes por suicídios. Tal previsão pode ser explicada mediante o conceito de “liquidez” da sociedade, formulado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, que conceitua a pós-modernidade como uma criadora de sujeitos fragmentados, imersos na própria busca de um prazer supremo, individual e imediatista, desvalorizando, portanto, a figura do outro. Dessa forma, a solidão torna-se uma característica intrínseca ao homem moderno, possibilitando, assim, o crescimento exponencial de distúrbios emocionais.
Em síntese, o suicídio é, por vezes, uma consequência de um quadro depressivo do indivíduo. Sabe-se que a depressão é uma patologia que afeta os mediadores bioquímicos envolvidos na condução dos estímulos dos neurônios, atuando por meio da oscilação do humor, do sentimento de baixa autoestima, desmotivação, ansiedade e profunda tristeza. Por conseguinte, quando o distúrbio não é diagnosticado e tratado, pode levar o indivíduo a tirar a própria vida. Além da depressão, existem causas interpessoais como o uso de drogas e álcool, a violência doméstica, bullying e o cyberbullying. No entanto, mesmo diante desse cenário em que o suicídio ocorre de maneira sistemática, a sociedade ainda o trata como tabu e opta pelo silêncio temendo o “efeito Werther”, isto é, que a discussão e a abordagem do assunto influencie os jovens em estado depressivo a cometerem tal ato. Contudo, o debate sobre as causas do suicídio é imprescindível para a disseminação da prevenção.
Em suma, há uma necessidade de esclarecimento da população sobre a depressão, a ansiedade, e o bullying, sendo estes, muitas vezes, gatilhos do suicídio, que deve ser efetuada pela mídia, por meio de campanhas, novelas e filmes, assim como pelas escolas por meio de palestras sobre saúde mental, a fim de conscientizar os estudantes sobre os efeitos desses distúrbios e promover assistência psicológica. O Governo Federal deve investir na ampliação de iniciativas, como o Centro de Valorização da Vida, CVV, e assegurar tratamentos psicológicos eficazes em centros comunitários.