Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 18/08/2019

No Brasil do século XIX, os autores das obras literárias pertencentes a segunda geração do romantismo relatavam em suas poesias o pessimismo diante da vida e a morte como única forma de solução dos problemas e do tédio perante o mundo. Tal período marcado como “Mal do século” gerou uma onda de suicídios, sobretudo entre os jovens. No limiar do século XXI, essa situação ainda é recorrente, pois de acordo com o Mapa da Violência o número de casos de suicídio entre os jovens brasileiros aumentou, o que é um problema de saúde pública que afeta negativamente toda a sociedade.

Convém analisar, de início, que o suicídio é o ápice do resultado de patologias psicológicas, a destacar, a depressão. De acordo com o psiquiatra Aloysio d’Abreu: “Para o deprimido, o mundo deixa de ser colorido.” Nesse sentido, muitos indivíduos que possuem sensação persistente de tristeza e incapacidade de lidar com os desafios cotidianos, não conseguem ver sentido e alegria em tudo que o cerca, acreditando que tirar a sua própria vida é sinônimo de acabar com o seu sofrimento.Dessa forma, quando doenças mentais não são tratadas com acompanhamento médico, evoluem para casos mais graves, em que o jovem se mata para aliviar sua dor.

É válido ressaltar, também que o uso massivo de redes sociais potencializa o problema na medida que nelas é apresentado o modelo de cotidiano ideal. Sob esse âmbito, os jovens que acompanham exageradamente publicações e postagens de outras pessoas acreditam que somente eles tem defeitos e desafios, enquanto os outros possuem condições perfeitas para serem felizes. Paralelo a isso, há um tabu na sociedade em falar da morte, sobretudo do suicídio, em que esse assunto pouco é discutido nos meios familiares, escolares e midiáticos. Desse modo, muitas vezes casos de tristeza perante as dificuldades  são mal vistos pela família, em que há a falsa noção de que tal problema é frescura, o que resulta em pouca oferta de auxílio para o cidadão.

Torna-se evidente, portanto, que é o suicídio é um problema que necessita de medidas a fim de prevení-lo. Cabe ao Ministério da Saúde em parceria com as escolas conscientizar as famílias por meio de debates, eventos e palestras com participação de profissionais da saúde que alertem sobre os perigos das patologias mentais e orientem as famílias sobre como ajudar nesses casos. Além disso, tal ministério deve oferecer nas escolas psicólogos e psiquiatras que conversem com os alunos a partir de um atendimento gratuito e especializado. Assim, o problema será amenizado.