Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 19/08/2019

O período literário ultrarromântico, ocorrido no Brasil ao logo do século XIX, foi marcado pelos recorrentes suicídios em razão de uma juventude depressiva. Nesse sentido, é possível identificar que tal prática não é recente no país, contudo as motivações certamente se alteraram de acordo com o contexto histórico. Um mundo cada vez mais individualista e com menos coesão social contribui de maneira exímia para a prática suicida e, infelizmente, o assunto ainda é considerado tabu frente aos debates sociais, principalmente nas escolas.

A vertiginosa industrialização mundial transformou as sociedades nos mínimos detalhes, principalmente no que se diz respeito às relações sociais. Assim definiu Émile Durkheim aquilo que nomeou de sociedade orgânica, na qual os indivíduos não reconhecem efetivamente sua importância frente ao oceano de pessoas totalmente distintas entre si. Tal sentimento promove o isolamento do mundo exterior, principalmente entre jovens, fase da vida em que é comum a formação de bolhas sociais.

Não obstante, por tratar-se de um assunto delicado, o suicídio é pouco debatido nas mais variadas instituições de ensino do país, reduzindo a visibilidade e importância da pauta. De acordo com o Mapa da Violência de 2017, o índice de suicídio entre jovens do Brasil cresceu dez pontos percentuais em apenas 12 anos, dados alarmantes para qualquer nação. Infelizmente, a problemática envolve uma questão de saúde pública e por isso a omissão escolar acaba corroborando com a ausência de perspectiva entre as faixas etárias menos maduras.

É evidente, portanto, a necessidade de ampliar discussões e a promoção de auxílio psicológico para os jovens brasileiros. Em razão disso, é de extrema importância que educandários promovam a realização de oficinas para toda a comunidade, organizando interações sociais e conversas, de modo a criar laços de pertencimento entre indivíduos e o corpo social. Outrossim, a Organização Mundial da Saúde deve incentivar os estados nacionais a inserirem pelo menos um psicólogo em todas as redes de ensino, bem como o fornecimento de terapias para estudantes que sentirem-se vulneráveis. Por fim, o Ministério da Saúde deve promover palestras em praças públicas para que famílias possam reconhecer sinais entre jovens e estabelecer um diálogo saudável com seus filhos.