Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 22/08/2019
A série “13 Reasons Why” aborda de maneira inovadora o drama de Hannah, uma adolescente que, após passar por situações como difamação, bullying e estupro, deixa fitas gravadas que pontuam os treze motivos que a levaram à abdicar da vida. No que tange à realidade atual, o suicídio transcende o aspecto ficcional e constitui um grave problema de saúde pública no Brasil. Logo, é fulcral um olhar mais atento diante desse complexo fenômeno, não somente pelo Estado, mas também por toda a sociedade que tem um papel determinante no desenvolvimento do indivíduo.
Em primeiro lugar, convém ressaltar que a cada quarenta e cinco minutos ocorre um suicídio no território brasileiro e, durante o ano, são muitos outros casos de quem atenta contra a própria vida. Com base na premissa de Emile Durkheim, trata-se um ato pessoal com características da sociedade que o produz, através dos valores, das normas sociais que podem influenciar o nível de interesse do indivíduo em viver. Racismo, homofobia, violência, desrespeito e intolerância com o diferente, isolamento social, dentre outros, tornam-se elementos propulsores para que as pessoas se entreguem ao profundo sofrimento e fomenta os transtornos psicológicos e comportamentos suicidas.
Ademais, a partir do advento da Era da comunicação, a internet surge como um novo e expressivo fator de risco. Sob esse viés, cita-se o jogo da “Baleia Azul” que, em 2017, estimulava comportamentos como a automutilação ou até mesmo o suicídio. De modo igual, há um acentuado aumento de casos com exposição nas redes sociais em que jovens saem se deparam com as suas imagens e vídeos íntimos postados na internet. Por conseguinte, considerando a alta escala de compartilhamento, muitas vítimas não suportam a vergonha, a desonra, a humilhação e, consoante à teoria do psiquiatra Augusto Cury, tiram a própria vida com o intuito de matar a própria dor.
Fica evidente, portanto, a premência de medidas preventivas e de enfrentamento para tal conjuntura. Dessarte, cabe ao Poder Público incluir o atendimento psicológico de forma mais acessível no Sistema Público de Saúde e capacitar os profissionais da saúde para a identificação de sofrimento, depressão e comportamento suicida. Paralelo a isso, as instituições escolares - importante difusora de informação e de construção social - devem estimular a interação entre a comunidade escolar e criar debates acerca da promoção à saúde mental e fatores de proteção. Isso pode ser feito através de palestras proferidas por psicólogos e agentes sociais com materiais informativos para que, os pais e professores, fiquem atentos perante as típicas mudanças de comportamentos, desinteresse acadêmico, isolamento social e transtornos psicológicos. Assim, teremos um significativo avanço e, conjuntamente, será possível construir um ambiente de proteção e cuidado com o próximo.