Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 23/08/2019
Ariele Vidal Farias tinha apenas 18 anos quando, em março de 2014, foi encontrada enforcada em casa. Os pais da jovem contam que nunca notaram sinais de depressão, posteriormente, a família descobriria que ela aprendeu os nós a partir de um livro, deixado fora do lugar, além de uma boneca com laço no pescoço encontrada em seus pertences e uma carta de despedida dizendo: “gente morta não decepciona ninguém”. No que tange à realidade atual, a curta história de Ariele não é um fato isolado, no Brasil e no mundo, o suicídio constitui um grave problema de saúde pública. Nesse contexto, é fulcral o olhar mais atento diante desse fenômeno multifacetado, não somente pelo Estado, mas também por toda a sociedade. A priori, convém destacar que ocorre um suicídio a cada 40 segundos no mundo e, no Brasil, a cada 45 minutos. Logo, estima-se que mais de 11 mil brasileiros terão encerrado a própria vida ao longo do ano, sendo a maioria jovens com idade entre 15 e 29 anos, conforme dados do Ministério da Saúde e da OMS. Diante desse panorama, é pertinente trazer o discurso de Albert Camus, em que o filósofo conceitua o suicídio como: “um problema verdadeiramente sério sobre o qual o homem deve refletir”. Contudo, pensar nas causas que leva alguém a se matar é uma incansável busca dos porquês, pois são inúmeras as motivações e envolve situações como doença mental, abuso de álcool e drogas, bullying, desestrutura familiar, perdas recentes, abusos e maus-tratos, dentre outros. Ademais, o comportamento suicida é tido como um estigma social e, por muitos, figura como sinônimo de loucura ou uma forma de chamar atenção da sociedade. Diante disso, não é tratado e prevenido de maneira eficaz, tornando-se, além de tudo, uma tragédia subestimada. Mesmo assim, as pessoas estão à nossa volta emanando sinais de uma saúde mental abalada, seja por fatores externos ou internos, e que passam desapercebidos. Para Bauman, a sociedade atual é marcada pela fragilidade das relações sociais, tendo em vista que o individualismo é uma das principais características da contemporaneidade. Fica evidente, portanto, a premência de uma sociedade mais acolhedora, no qual o sofrimento do outro possa ser escutado e possibilite as intervenções. Dessarte, cabe ao Ministério da Educação em consonância com as unidades escolares - importante difusora de informação e formadora social – estimular a interação entre os adolescentes por meio de oficinas dirigidas que promovam o diálogo aberto e a troca de experiências, de modo que seja uma construção coletiva do conhecimento acerca dos fatores de risco para o suicídio. Paralelo a isso, o Ministério da Saúde deve assegurar o tratamento dos transtornos mentais, isso pode ser feito com a capacitação dos profissionais da saúde e inclusão dos psicólogos no Sistema Único de Saúde de maneira mais acessível visando o atendimento primário e atenção integral à população. Dessa maneira, haverá um significativo avanço e integrado para enfrentar esse problema social e de saúde no Brasil.