Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 26/08/2019
“Um dia eu vou morrer, um dia eu chego lá”. Esse trecho da música “Piloto Automático” da banda Supercombo revela um pensamento suicida que afeta grande parcela dos jovens brasileiros. Dessa forma, urge a necessidade de buscar ações preventivas que impeçam a concretização de tais pensamentos, impulsionados em grande parte devido a postura da sociedade mediante um tratamento silencioso e relações cada vez mais superficiais.
Primordialmente, vale destacar a conduta silenciosa da comunidade diante o impasse. De acordo com a filósofa Hannah Arendt em sua expressão a “banalidade do mal”, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. Em uma analogia ao ideal exposto, o silêncio a respeito do suicídio é visto como um mal social corriqueiro, que de acordo com o “Efeito Papageno” deve ser extinto, uma vez que esse expressa que falar sobre de forma responsável e consciente tende a diminuir os casos de autocídio. Logo, discutir o assunto se torna imprescindível.
Ademais, outro fator que agrava o estorvo são vínculos familiares cada vez mais frívolos. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, as relações da modernidade líquida escorrem pelos vãos dos dedos dos indivíduos, por esse motivo as pessoas estão cada vez mais focadas no seu “eu” e abandonando o outro. À vista disso, a falta de diálogo ocasionada dessa superficialidade acaba por ser outro agravante na questão do suicídio, fato comprovado diante índices de homens que cometem suicídio serem maiores em razão de esteriótipos que dificultam que os mesmos conversem sobre assuntos mais delicados.
Destarte, se torna fundamental medidas que atenuem a problemática. Portanto, cabe ao Centro de Valorização da Vida promover debates públicos sobre a temática por meio de palestras e campanhas— mediadas por profissionais especializados—, com o intuito de romper o comportamento silencioso da sociedade. Ademais, é dever da família buscar tornar seus vínculos mais sólidos por intermédio de programas familiares, com o fito de proporcionar conversas em que os envolvidos se sintam livres para se abrirem sobre possíveis tendências suicidas, dado que só assim poderá ser buscado ajuda. Tais medidas visam evitar os 90% de casos de suicídios possíveis de acordo com a Organização Mundial de Saúde.