Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 03/09/2019
O livro “A redoma de vidro” narra a angústia de uma jovem e depressiva universitária do século XX, a qual enxerga o suicídio como o fim de seu sofrimento. Embora fictício, tal cenário é pertinente na sociedade contemporânea, haja vista que tirar a própria vida é uma das principais causas de morte entre jovens em escala mundial. Entretanto, países, como o Brasil, mostram-se defasados para lidar com esse problema de saúde pública, haja vista que são constantemente afetados por imbróglios no que se tange à falta de comunicação e à prestação de assistência adequada aos jovens, seja nos âmbitos de saúde, social ou familiar.
Em primeira análise, segundo ideário hobbiniano, é dever do Estado garantir o acesso à saúde e bem-estar social. No entanto, as redes de acompanhamento das doenças mentais e prevenção do suicídio constituem um entrave para a efetivação desse direito, uma vez que são insuficientes para alcançar a demanda populacional. Essa conjuntura sinaliza a negligência com que é tratada a temática acerca dos transtornos psicológicos. Em razão disso, segundo a Organização Mundial da Saúde, a cada 45 minutos, é registrado um autocídio no Brasil.
Somado à isso, conforme o filósofo Zygmunt Bauman, a modernidade trouxe consigo a liquefação das formas sociais, a qual enfraquece os laços das relações interpessoais e gera angústias e incertezas. Nesse sentido, o caráter individualista da população gera como consequência a ausência de comunicação e compreensão, fatores que contribuem para a estigmatização do comportamento suicida sob um ângulo preconceituoso e prejudicial para a vítima.
Por conseguinte, é incontrovertível a responsabilidade da família nesse contexto, a qual, na maioria dos casos, não se atenta para os sinais de depressão, ansiedade e inquietude com a vida. Em decorrência disso, não é frequente o diálogo sobre o bem estar psicológico. Logo, os indivíduos afetados, por não encontrarem apoio em nenhum setor, têm a tendência de se afastar do convívio coletivo, atitude capaz de intensificar a angústia e induzir ao suicídio.
Portanto, para reverter essa problemática, é necessário que o Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, amplifique e divulgue os projetos de assistência psicológica e prevenção ao suicídio em escala proporcional à demanda, de modo que todos os cidadãos tenham acesso a serviços de saúde mental, como terapias e círculos de conversa com profissionais licenciados. Essa atitude será capaz de prevenir e reduzir das taxas de suicídios no Brasil. Aliado a isso, o Ministério da Educação deve promover debates com a participação das famílias, da população, dos psicólogos e dos médicos, a fim de desmistificar, conscientizar e mobilizar a sociedade sobre essa problemática.