Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 01/09/2019
Na série americana de grande audiência “13 Reasons Why” a adolescente Hannah Baker comete suicídio pelo bullying sofrido em seu colégio, o que desencadeia uma série de questionamentos e comoção no ambiente escolar. Entretanto, fora da ficção, observa-se a questão alarmante do suicídio na realidade brasileira, sobretudo entre a população jovem. Nesse sentido, a inércia estatal na promoção de campanhas anti-suicídio e a omissão social em relação à saúde mental dos jovens, configuram-se como entraves ao cuidado com a problemática no Brasil.
Em primeira análise, nota-se a letargia do Estado no estímulo à veiculação de campanhas de valorização à vida. Segundo a Carta Magna de 1988, em seu Artigo 3°, todo cidadão tem o direito à vida e ao bem-estar social. Contudo, a prática deturpa a teoria, visto que o contingente brasileiro carece de fomento governamental para a conscientização popular, por meio de campanhas publicitárias, bem como se vê um baixo investimento na ampliação do atendimento aos indivíduos susceptíveis, por meio do Centro de valorização da Vida (CVV). Em consequência disso, ocorre uma elevação do quantitativo de casos suicidas entre a parcela juvenil, tornando-se a segunda maior causa de mortes no mundo, entre pessoas de 15 a 29 anos, em 2016, de acordo com o Ministério da Saúde.
Por outro ângulo, percebe-se a falta de empatia social no que tange ao acolhimento de púberes em estado de vulnerabilidade psíquica. De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua Teoria do Habitus, o corpo social possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos. Sob esse viés, verifica-se a aplicação desse princípio no contexto brasileiro, uma vez que a coletividade, ao longo do tempo, absorveu valores banalizados quanto à saúde mental dos adolescentes, ao considerar “frescura” os sintomas psicológicos, como síndrome do pânico e depressão, os quais são considerados a principal causa de se por fim a vida. Destarte, medidas enérgicas são necessárias para se alterar essa “padronização”, prevista pro Bourdieu.
Nesse cenário, é vital a mudança do quadro delicado de incidência de suicídio entre os jovens no Brasil. Logo, o Tribunal de Contas da União, deve aumentar, com urgência, o quantitativo de verbas que, por intermédio do Ministério da Cultura, serão revertidas em campanhas publicitárias engajadas e na contratação de reforço de psicólogos e assistentes sociais para o canal de comunicação do CVV. Com efeito, os profissionais poderiam evitar possíveis casos suicidas e a Mídia poderia propagar a ideia de valorização da vida e da preservação da Saúde Mental, por meio de cartazes e folhetos informativos em praças e escolas. Consequentemente, geraria-se bem-estar psicológico na camada juvenil, com o fito de garantir os direitos previstos em Lei. Assim, a temática da série ficaria restrita às telas.