Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 05/09/2019

Suicídio apenas na ficção

Na obra literária alemã “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Goethe, o protagonista encontra no suicídio uma forma de livrar-se das dores de um amor não correspondido. A temática da infelicidade fez com que grande parte do jovem público-leitor, no século XVIII, se sentisse representado pelos anseios do personagem e tirassem as suas próprias vidas. Todavia, apesar do passar dos séculos, as crescentes taxas de suicídio ainda se mostram realidade no Brasil. Com efeito, faz-se necessário medidas para prevenir a problemática da saúde pública entre os jovens brasileiros.

Em primeiro lugar, o suicídio é, por vezes, uma consequência de um quadro depressivo do indivíduo. Nessa perspectiva, Shakespeare trouxe essa relação em obras como “Hamlet” e “Romeu e Julieta” que mostram o psicológico dos personagens e as circunstâncias que os levaram ao ato. Nesse sentido, conforme dados do Ministério da Saúde, os brasileiros acometidos por decepções amorosas e insatisfações pessoais têm alta probabilidade de recorrerem ao suicídio como única forma de resolução de seus problemas. Contudo, enquanto a depressão e suas causas se mantiverem, o país será obrigado a conviver com um dos mais graves problemas: o suicídio.

Ademais, o individualismo é forte motivador da problemática. Sob esse viés, em tempos de modernidade líquida, defendida por Zygmunt Bauman, a interação entre indivíduos está menor, assim como o grau de solidariedade social. De forma análoga ao pensamento de Durkheim, quanto menor a empatia entre os indivíduos, maior serão a chances de ocorrer o suicídio, retratando como um fato social. Esse panorama é o segundo maior índice de mortes no Brasil, motivado pela fragilidade das relações interpessoais. Desse modo, a urgente superação dessa questão surge como um desafio da modernidade.

Transtornos psicológicos e fragilidades das relações, portanto, mostram-se importantes fomentadores do suicídio. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de campanhas de conscientização nas escolas e mídias, informar que a depressão é um problema de saúde -ao promover a reflexão e alerta a esse emblema-, visando a busca por tratamento médico pelos indivíduos e possivelmente evitar uma tragédia. A sociedade, por sua vez, deve estar mais atenta aos comportamentos solitários de seus conhecidos e familiares, ao promover o diálogo frequente e o apoio emocional, a fim de evitar tentativas suicidas. Dessa forma, é possível fazer com que a ficção de Goethe não seja mais realidade no Brasil.