Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 05/09/2019

Na obra literária alemã “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Johann Goethe, o protagonista encontra no suicídio uma forma de livrar-se das dores de um amor não correspondido. A temática da infelicidade fez com que parte do jovem público-leitor, no século XVIII, se sentisse representado pelos anseios do personagem e, inclusive, passassem a ver a morte como uma forma de libertação. Neste sentido, percebe-se que esse problema já se alastra ao longo dos séculos e hoje, no Brasil, a taxa de suicídio entre os jovens faz-se crescente, evidenciando a urgência de alteração deste cenário preocupante.

Em primeiro plano, o suicídio é, por vezes, uma consequência de um quadro depressivo do indivíduo. Sabe-se que a depressão é uma patologia que atinge os mediadores bioquímicos envolvidos na condução dos estímulos através dos neurônios, atuando para que o ser se sinta desestimulado, triste e com baixa autoestima. Entre os fatores sociais que induzem os adolescentes a essa doença, fazendo com que se sintam pressionados ou rejeitados, estão os casos de bullying nas escolas. Em virtude disso, quando essas pessoas sentem-se incompreendidas e não têm apoio de familiares e amigos, o suicídio lhes convém como uma escapatória às opressões que as rodeiam. Consoante ao pensamento de Schopenhaur, de que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, pode-se dizer que enquanto esses problemas não afetarem a vida da população em geral, essa não dará importância e, assim, o fortalecimento desse tipo de pensamento é transmitido de pessoa a pessoa, agravando-se o problema no Brasil.

Outro fator alarmante é a ausência de intervenção familiar. Infelizmente, há pais que não se atentam às ações exercidas pelos filhos, e são comuns os casos de jovens que se queixam com seus responsáveis sobre insatisfações e lamentos de seu cotidiano, mas o assunto é tido como frescura. Tal reação gera a sensação de desamparo e, por conseguinte, pessoas de má índole encontram na internet uma forma de atrair esse público fragilizado ao ato suicida. Exemplo disso, foi a criação do jogo online Baleia Azul’, em que um ‘‘curador” anônimo estabelece cinquenta desafios – dentre eles a automutilação – ao adolescente, sendo a última etapa, a retirada da própria vida. Èmille Durkheim considera o suicídio um fato social, nessa perspectiva, tirar a própria vida atinge não só o autor do ato, mas toda a sociedade. Vê-se, assim, a necessidade de um maior acompanhamento parental e preventivo ao suicídio.

Compreende-se, portanto, que cabe à Organização Mundial da Saúde, junto às escolas –máquinas socializadoras-, promover o treinamento de profissionais da educação para identificar tendências depressivas nos jovens e utilizarem as obras literárias que retratem o suicídio, como foi o caso da obra de Gothe, promovendo a reflexão e o alerta frente a esse problema. Além disso, os responsáveis devem ser mais atentos ao comportamento dos filhos, promovendo o diálogo frequente e o zelo. Por fim, a mídia deve usufruir de seu poder persuasivo para campanhas de valorização à vida e o incentivo à procura de auxílio. Dessa forma, as taxas de suicídio amenizarão e construiremos uma sociedade mais empática.